A convocatória “Deitar no céu para olhar o chão” se abre para artistas interessados em explorar as relações entre arte e diferentes formas de perceber o céu, seus astros, ciclos e orientações. O convite parte da escuta dessas cosmologias que têm o céu como guia, e convida a olhar, a partir dele, para o chão, para os gestos, para o corpo.
Localizado em Nova Lima, o JA.CA está a poucos metros da Plataforma de Observações Astronômicas Francisco Prado, estrutura pública que integra o Parque Estadual da Serra do Rola Moça. O espaço da residência busca tensionar a convivência entre arte, ciência e território.
No módulo 3: Quando o Vazio Vibra / Explorações Sonoras, a convocatória se dirige a artistas interessades em investigar o som, o silêncio e a vibração como matéria de criação. A escuta é tomada como gesto de observação do cosmos, uma forma de perceber o invisível e traduzir o que vibra entre corpos, atmosferas e frequências.
O som, diferentemente da luz, precisa de um meio para existir. No vácuo do espaço interestelar, onde quase não há partículas, o som não se propaga, e o universo parece silencioso. Ainda assim, em regiões mais densas, como dentro de estrelas, nebulosas ou nuvens de gás, surgem vibrações e ondas de pressão que podem ser interpretadas como os “ecos” do cosmos. São sons que não ouvimos, mas que existem como pulsações, ressonâncias e movimentos.
Se no movimento dos astros encontramos a dança do universo, nas suas vibrações descobrimos sua música. As explosões solares, as ondas de plasma e as flutuações eletromagnéticas das galáxias distantes revelam um universo em constante emissão de sinais — sons, ruídos e silêncios que pedem para ser traduzidos.
De beats de funk aos sons de tambores em rituais, do samba à improvisação livre, da voz como matéria vibrátil à paisagem sonora como arquivo vivo, o módulo acolhe múltiplas formas de produzir e escutar o som como experiência corporal, social e cósmica. São práticas que atravessam territórios, memórias e frequências, conectando o cotidiano às pulsações invisíveis do universo.
São bem-vindas propostas de artistas visuais, artistas sonoros, musicistas, performers, pesquisadores e experimentadores de diferentes áreas que desejem pensar o som em relação ao espaço, à matéria e ao vazio. O módulo evoca à experimentação de paisagens sonoras, composições, performances, instalações ou escutas compartilhadas que explorem o intervalo entre o audível e o inaudível, entre o silêncio e a vibração, entre o que o cosmos cala e o que ele faz vibrar.












