REBOQUE – Residência Itinerante (2016)

REBOQUE – Residência Itinerante (2016)


Artistas selecionados:

– Ana Paula Condé;
– Cine Sem Chorumelas
– Coletivo Planta
– Entrecampo
Micrópolis 




Apresentar um projeto em que mais um carro disputa o espaço das ruas, já repletas deles, parece uma enorme insensatez à primeira vista, principalmente em nossos dias onde o uso do automóvel como acessório privado tornou-se um dos grandes vilões da vida nas cidades, contribuindo, contraditoriamente, para aumentar as distâncias entre todos nós.

Note porém que nos referimos ao uso do automóvel e não a coisa em si. A existência do carro não é exatamente o problema, mas sim o que fazemos dele, como o utilizamos como força motriz da economia e/ou símbolo de distinção social, justificando seu caráter fundamental para sustentar a roda do mundo e nosso direito de consumir.

Por sorte, parece que a sociedade começa a se desinteressar por esse objeto que ocupa tanto nossas ruas, finanças e casas. Suas vendas despencam em todo o mundo e cada vez mais os jovens preferem outras possibilidades a sua posse. Caminhar, pedalar e compartilhar o transporte apontam para outro caminho em um futuro talvez não tão distante.

Porém antes de irmos a seu funeral, propomos um experimento para reconvertê-lo a sua função original de ferramenta, tal qual uma faca ou martelo, desmascarado de seus véus fetichizantes, oferecendo uma alternativa ao seu trajeto de super herói decaído.

De posse de um de seus exemplares, o transformamos em dispositivo móvel, para cumprir uma nova função social, colaborando com a descentralização de açõeses artísticas e culturais, poéticas e políticas. Pronta para rodar, nossa kombi furgão configurada em plataforma multiuso abriu suas portas para novas e criativas serventias.

Especialmente para o REBOQUE – Residência Itinerante, o JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, através de convocatória aberta, selecionou artistas e coletivos locais que realizaram ações artísticas colaborativas e itinerantes em centros culturais de Belo Horizonte, produzindo deslocamentos surpreendentes registrados nesse diário de bordo.

A kombi amarela, antiga funcionária dos Correios por mais de 170.000 quilômetros, continuou sua jornada de trabalho pela cidade. Transformada em rádio móvel, amplificou a voz dos moradores do Lindéia e do Regina, mais alto do que seu barulhento motor.

Como ajudante de cozinha, participou das aulas de culinária vegetariana no Alto Vera Cruz, relembrando seu passado na contracultura, como veículo predileto dos hippies. Segurou a tela de cinema para a turma da Serra, mas sem acender a lanterna para não atrapalhar a sessão. Percorrendo outras vias, estacionou na Lagoa do Nado para batalhar por mais árvores e menos garagens, apoiando a permanência da Mata do Planalto. Por fim, pelas bandas de Venda Nova, trocou o fedorento monóxido de carbono por perfumadas bolhas de sabão produzidos nos quintais de lá.

Dê a partida e boa viagem ;)


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Residência Itinerante (REBOQUE) — 2016 — Alquimias de Quintal

Alquimias de Quintal surgiu de um desejo de investigar, experimentar e construir uma interface de comunicação para as trocas sensíveis existentes na região de Venda Nova e suas reverberaçõesO projeto foi desenvolvido pelo coletivo Planta entre os meses de Maio e Agosto, apoiado pelo JACA Centro de Arte e Tecnologia Jardim Canadá e pelo Centro Cultural Venda Nova, como parte do projeto Reboque. “Num momento de crise política e de questionar as relações estruturais, a tarefa de discutir, partilhar e vivenciar o que é sensível é um ato de resistência e também uma retomada às formas de sociabilidade e formação alternativas à lógica hegemônica do consumo. Para além disso, a ação de conceber ao espaço doméstico a função de valor de uso e não potencial construtivo se define como uma prática antagônica à especulação imobiliária, que entende o espaço privado enquanto uma mercadoria.”

É importante ressaltar que a região de Venda Nova, localizada no extremo norte de Belo Horizonte, antecede a própria existência da capital mineira. Sua história é narrada pelos antigos moradores da região, que presenciaram a mudança no espaço ao decorrer dos anos. O córrego onde se nadava e que abastecia hoje abriga Av. da República e uma rede de esgoto. Já as antigas fazendas hoje abrigam circunstâncias urbanas como conjuntos habitacionais, posto de saúde e comércios.

 Os quintais produtivos se referem de uma forma ilustrativa aos espaços privados onde são fabricados os produtos de uso particular. Nesse caso, os quintais se apresentaram em diversas formas, como a própria horta compartilhada do centro cultural, o chão de uma cozinha que abriga uma pequena fábrica de batata frita, e em outros casos como a própria extensão da área externa das casas. “O trabalho de catalogação de produtividade nesses quintais se estendeu ao nosso próprio espaço de trabalho, onde experimentamos algumas das receitas captadas”. Parte dos resultados desses ensaios foi distribuída pelos membros do coletivo, enquanto outra foi distribuída durante a ação com o dispositivo móvel do JACA.

JA.CA – Centro de Arte & Tecnologia

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