Sara Lana (BR)

Sara Lana (BR)


Tendo passado por escolas de matemática, computação e engenharia, Sara Lana (1988 | Belo Horizonte, MG) desenvolve projetos permeados por som, arte e tecnologia. Em geral, seu trabalho é orientado para a pesquisa e o desenvolvimento de parafernálias tecnológicas, experimentando diferentes aproximações com interfaces digitais e dispositivos analógicos. Foi artista residente em diversos espaços de fomento à arte, ciência e tecnologia, e, além do Brasil, apresentou trabalhos no Chile, México, Espanha e França.

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– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Boa parte da obra da belo-horizontina Sara Lana deriva de seu interesse pela escuta, com atenção especial a sons não-musicais, detectados a partir de microfones instalados em matilhas de cães ou ainda em sobreposições de narrações de jogos de futebol. A partir desses elementos, a artista investiga o que há de comum e discrepante em variadas narrativas sonoras. Em trabalhos mais recentes, tem se dedicado à busca de pontos cegos, surdos, mudos na cidade, considerando a onipresença, a desregulação e a possibilidade de mapeamento de câmeras urbanas em diferentes centros brasileiros.

No programa Bolsa Pampulha, dá continuidade a uma investigação realizada a partir de câmeras de vigilância residenciais, considerando as contradições de um sistema que ao mesmo tempo vigia e expõe os vigiados. Segurança e exposição, proteção e desproteção, visibilidade e invisibilidade são alguns dos campos de interesse da artista, que a partir do amplo material levantado propõe uma reflexão sobre algumas disfuncionalidades da hiper-vigiada sociedade em que vivemos.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços I

Em Espécies de Espaços I são apresentados, em vídeo e anotações, diários íntimos de 5 personagens construídos a partir de imagens domésticas de câmeras de vigilância deixadas abertas na internet.

Indivíduos e seus gestos são eliminados para mostrar-nos o que resta de sua convivência com os objetos da casa, o deslocamento de uma planta na sala de estar, a entrada de um cachorro pela porta da frente, fazendo-nos estranhar processos naturalizados de vigilância em nosso mundo contemporâneo.

Os procedimentos não são expostos ou revelados, mas há um jogo com o arquivo obtido na captura e observação dessas imagens. Por outro lado, as pessoas agem como se não estivessem sendo observadas e confiam plenamente, ou quase, na tecnologia a seu dispor.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços II

Um conjunto de imagens nos oferece a visão sobre a ocupação aparentemente inofensiva das aranhas. O dado importante sobre estas imagens é que elas são registros realizados por câmeras de vigilância domésticas do mundo inteiro. São incontáveis as câmeras que tiveram suas imagens inviabilizadas graças às aranhas que, em disputa pelas quinas, tramaram teias na frente desses aparatos.

Espécies de Espaços II é resultado da coleta dessas imagens, partindo de câmeras deixadas abertas na internet por negligência de seus usuários. Aparentemente, uma aranha leva de 20 a 30 minutos para tecer sua teia. Esta, que por sinal também é a palavra em inglês usada para nomear a grande rede que nos conecta globalmente (web), torna-se a imagem mais crítica desse conjunto. É a única capaz de realmente fornecer uma ideia de privacidade e proteção.

Esse trabalho faz parte de uma longa investigação realizada a partir de câmeras de vigilância residenciais, considerando as contradições de um sistema que ao mesmo tempo vigia e expõe os vigiados. Segurança e exposição, proteção e desproteção, visibilidade e invisibilidade são alguns dos focos dessa pesquisa, que a partir do amplo material levantado propõe uma reflexão sobre algumas disfuncionalidades da hiper-vigiada sociedade em que vivemos.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços III

Em Espécies de Espaços III são apresentadas imagens de câmeras de vigilância que geram estranhamento, surpresa ou indagações. Seja por sua inesperada poética, como paisagens cuja composição é digna de enquadros cinematográficos, ou por captarem cenas inusitadas, como insetos que fizeram da câmera um ninho bastante singular.

No entanto, é importante destacar, que imagens capturadas pelas câmeras de vigilância não são feitas exatamente para a apreciação de um espectador. A um primeiro contato, supomos que não há muito para ser visto. Tais imagens, escoadas para um arquivo virtual, não têm exatamente um destinatário, mas cumprem a função de monitoramento sob o argumento da segurança.

As câmeras, com a anuência de seus proprietários, produzem imagens para um arquivo raramente acessado. A maioria delas sequer é baixada para dispositivos como o computador, ao menos que haja alguma ameaça à propriedade vigiada.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Táticas de (in)visibilidade: pontos cegos e rotas invisíveis

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Sara Lana promoveu o encontro Táticas de (in)visibilidade: pontos cegos e rotas invisíveis, no Centro de Referência da Juventude, em Belo Horizonte. A ação consistiu em uma apresentação inicial do projeto Pontos Cegos, seguida de uma caminhada com o público participante pelo hipercentro de BH, com intuito de mapear, coletivamente, as câmeras de segurança do perímetro percorrido. Com o mapa construído, o grupo fez o primeiro teste do Traçador de Rotas de invisibilidade.


– Programa de Residências Internacionais – 2017 – Matilha

Em Matilha, a artista mineira Sara Lana propõe um estudo do espaço sonoro do JA.CA partindo da perspectiva auditiva dos cães vira-la habitantes do Jardim Canadá. Para tanto, a artista construiu circuitos elétricos, equipados com microfones e transmissores FM, operando em distintas bandas de frequência. Esses circuitos foram acoplados em vários cães do bairro, com o objetivo de analisar e registrar os áudios que compõem o entorno sonoro dos cachorros da região.

O trabalho foi realizado em parceria com a comunidade canina do Jardim Canadá no intento de estabelecer um vínculo de protocooperação com os animais. A protocooperação é uma relação benéfica para ambas as espécies, portanto, em troca de suas atuações como agentes da pesquisa, Sara Lana ofereceu para eles algo em troca, impactando, porém, o mínimo possível em seu cotidiano.

Jardim Canadá
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