EXPOSIÇÃO – e de novo montanha, rio, mar, selva, floresta




EXPOSIÇÃO ◉ ABERTURA
08/03/2016, Galeria GTO Sesc Palladium, às 19h
com obras de Berglind Jóna, C. L. Salvaro, Fabiana Faleiros,
Fernanda Rappa, Jarbas Lopes, Luiz Roque, Maura Grimaldi e coletivo TAZ.



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Dayane Tropicaos (BR)

Dayane Tropicaos (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Tendo a periferia de Contagem como primeiro contexto de experiência e intervenção, Dayane Tropicaos integra o projeto coletivo Cine sem Churumelas, criado a partir do desejo de abrir espaços públicos de troca artística e exibição de trabalhos. Também idealizou o projeto O Inusitado Cabe Dentro do Comum, no qual, além de ocupar ruas, suas ações também compreendem intervenções e exposições em espaços comerciais e de convivência, como bares, trailers, borracharias, casas de assistência técnica, buscando gerar provocações e estranhamentos em ambientes inicialmente não-artísticos. Ao mesmo tempo em que inventa modos de existir na periferia, a artista reflete sobre a própria presença e pertencimento aos espaços institucionais da arte, questionando regimes de privilégios e exclusividade.

No Bolsa Pampulha, o trabalho da artista traduz em vídeos uma série de encontros com outras mulheres negras de origem periférica que se dividem entre pesquisas e práticas artísticas e o exercício de outras funções na sociedade, considerando desigualdades raciais históricas e presentes. Entre os focos de sua pesquisa, que resulta ainda em um conjunto de uniformes relacionados a atividades profissionais subalternizadas, figuram os indícios de uma revolução que lentamente cozinha nos caldeirões de cantineiras eventualmente mal-humoradas.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Abre Caminho

A obra conta a história de uma revolta futura eminente que irá provocar transformações sociais e econômicas. São trazidas questões em torno das relações de trabalho de subalternidade, da opressão vivenciada pelas classes mais pobres, do apagamento histórico da cultura negra, apontando para um futuro de descolonização e uma reparação histórica. A instalação é formada por vídeos, uniformes em cabides, e texto impresso em tecido.

Na altura dos olhos

Em um presente distópico, ainda continuo com a utopia à altura dos olhos. Depois de muito tempo respirando fumaça e caminhando por ruínas daquilo que ainda não foi construído, procurei no entulho vestígios do passado dos meus esquecidos. Vencida, comecei correr atrás do futuro desconhecido e me dei conta de que existe uma revolta cozinhando nas panelas das cantineiras mal-humoradas, ela está para acontecer e a percebo na displicência dos garçons apressados. Tenho visto seus vestígios na fumaça do cigarro das faxineiras que fumam nos banheiros, na roupa mal passada pela empregada, na obra demorada do pedreiro. Está para acontecer essa revolta, e ela será inevitável. E eu a escuto sempre na ligação muda da operadora de telemarketing que desliga. Eu vi de novo seu rastro na atendente que nunca dá razão ao cliente. Sim, ela está para acontecer, ontem mesmo vi o lixo rasgado que o lixeiro deixou pra trás, vi a atendente do fast-food inexpressiva. Vejo ela avançar, se organizar. Alguns tomaram a frente e gritam que essa revolta será pela retomada de poder.



– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Abre Caminho: Roda de Conversa

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Dayane Tropicaos propôs a roda de conversa com o objetivo de conversar e compartilhar sobre as reflexões que permearam o processo de criação do trabalho “Abre Caminho”. O encontro contou com a presença da artista junto às convidadas Raíssa Haizer, Daiana Arcanjo, Flávia Aniceto e Negah Thé, participantes no trabalho. Também foram compartilhado alguns processos do trabalho por meio de alguns trechos de conversas gravadas durante o processo da residência. O trabalho partiu de vivências de mulheres negras da periferia levando em consideração a criação de estratégias de enfrentamento ao racismo estrutural. A ação foi realizada na Escola Livre de Artes Arena da Cultura, no centro de Belo Horizonte. 

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Virgínia de Medeiros

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Virgínia de Medeiros

A arte como resposta à crise social que vivemos

Entre os dias 10 e 12 de maio, de sexta a domingo, o Museu de Arte da Pampulha recebeu a artista baiana Virgínia de Medeiros para um encontro com os criadores contemplados pelo programa Bolsa Pampulha 2018/2019.

Ao longo do encontro, a artista apresentou uma série de reflexões sobre a própria trajetória, dedicada à realização de projetos audiovisuais a partir de experiências de convivência e colaboração com grupos sociais bastante distintos, a exemplo de prostitutas, líderes religiosos, praticantes de BDSM e moradoras de uma ocupação popular situada no centro de São Paulo. Entre os trabalhos compartilhados com os bolsistas, figuram os projetos Studio Butterfly (2003-2006), Cais do Corpo (2015), Alma de Bronze (2016-2018) e ainda o vídeo inédito Trem em Transe, filmado num vagão de trem urbano em Salvador.

No sábado, Virgínia de Medeiros ministrou uma oficina aberta aos bolsistas e ao público em geral, tendo como ponto de partida a potência do encontro entre diferentes histórias de vida. No último dia da imersão, domingo (12), Virgínia levou ao Museu de Arte da Pampulha uma palestra em que compartilhou com o público mais alguns de seus trabalhos, buscando ressaltar urgências do tempo presente e introduzir ao campo da arte contemporânea possibilidades de diálogo com a complexa realidade social que nos cerca.

O trabalho de Virgínia converge de estratégias documentais, para ir além do testemunho, questionando os limites entre realidade e ficção. A artista lida com o deslocamento, a participação e a fabulação. Adaptando imagens documentais para usos subjetivos, pessoais e conceituais, propiciando a revisão dos modos de leitura e representação da realidade e da alteridade. De Medeiros atua na área de arte e tecnologia com ênfase em vídeo-instalação e audiovisual.



Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Júlia Rebouças

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Júlia Rebouças

Sertão: Projetos de experimentação, projetos de resistência

Entre os dias 7 e 9 de junho de 2019, de sexta a domingo, o Museu de Arte da Pampulha recebeu o segundo encontro imersivo entre os artistas contemplados pelo Bolsa Pampulha 2018/2019 e os integrantes da comissão de acompanhamento do programa – Augusto Fonseca, Beatriz Lemos, Júlia Rebouças, Mônica Hoff e Samantha Moreira.

Ao longo dos dois primeiros dias do encontro, os artistas compartilharam os passos e planos traçados em direção às próprias pesquisas, estabelecendo diálogos e recebendo críticas, considerações e sugestões dos integrantes da comissão em relação ao desenvolvimento dos trabalhos.

No último dia da imersão, a curadora e pesquisadora Júlia Rebouças levou ao Museu de Arte da Pampulha uma ampla reflexão sobre a brasilidade e as identidades brasileiras a partir da curadoria do 36º Panorama da Arte Brasileira, exposição bienal tradicionalmente realizada pelo MAM São Paulo. Com curadoria de Júlia e início marcado para 18 de agosto de 2019, a exposição traz como título a palavra “Sertão”, buscando ampliar seus sentidos e reverberar os múltiplos saberes que constituem o contraponto do Brasil moderno.

Julia é curadora, pesquisadora e crítica de arte. Foi co-curadora da 32a Bienal de São Paulo, Incerteza Viva (2016). De 2007 a 2015, trabalhou na curadoria do Instituto Inhotim. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, nos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil. Em 2013, foi curadora adjunta da 9ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre.



Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Rosângela Rennó

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Rosângela Rennó

Do arquivo à circulação das imagens e de volta para o arquivo

Entre os dias 5 e 7 de julho, de sexta a domingo, o Museu de Arte da Pampulha recebeu a artista mineira Rosângela Rennó para um encontro com os criadores contemplados pelo programa Bolsa Pampulha 2018/2019.

No decorrer do encontro, a artista conversou com os bolsistas sobre o andamento dos seus projetos de pesquisa, tendo como foco ações relacionadas à organização e à apropriação de imagens, sejam elas encontradas ou buscadas. Autora de numerosos trabalhos criados a partir da apropriação de fotografias oriundas de arquivos públicos, privados e institucionais, Rosângela refletiu ainda sobre o que defende como um novo estatuto da imagem: do antigo modelo centrado em álbuns e arquivos, passamos agora a um contexto no qual as imagens são produzidas para circular, desestabilizando noções de tempo, memória e autoria.

No sábado, Rosângela Rennó conduziu uma atividade aberta aos bolsistas e ao público em geral, realizada a partir do compartilhamento de arquivos fotográficos de diferentes origens e características, trazidos pelos participantes. No último dia da imersão, a artista apresentou aos visitantes do Museu de Arte da Pampulha alguns de seus projetos mais recentes, todos relacionados à organização de imagens produzidas por outras pessoas, dentre os quais a exposição Foto Cine Clube Bandeirante: do arquivo à rede (2016) e os projetos Rio Utópico (2017-2018) e Good Apples/Bad Apples (2018-2019).

Rosângela vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formou-se em Artes Plásticas pela Escola Guignard e em Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais. É doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Sua obra é marcada por apropriação de imagens descartadas, encontradas em mercados de pulgas e feiras, e pela investigação das relações entre memória e esquecimento. Em suas fotografias, objetos, vídeos ou instalações, trabalha com álbuns de família e imagens obtidas em arquivos públicos ou privados.



Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Mônica Hoff

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Mônica Hoff

Como ensinar o que na verdade se quer aprender?

Entre os dias 26 a 28 de julho de 2019, de sexta a domingo, o Museu de Arte da Pampulha recebeu o terceiro e último encontro imersivo entre os artistas contemplados pelo Bolsa Pampulha 2018/2019 e os integrantes da comissão de acompanhamento do programa – Augusto Fonseca, Beatriz Lemos, Júlia Rebouças, Mônica Hoff e Samantha Moreira.

Ao longo do primeiro dia do encontro, os artistas apresentaram o andamento de suas pesquisas, estabelecendo diálogos e recebendo críticas, considerações e sugestões dos integrantes da comissão. Durante o segundo dia, foram realizadas conversas individuais entre os artistas e as curadoras convidadas, tendo como foco a expografia dos trabalhos realizados durante a residência.

No último dia da imersão, a curadora, pesquisadora e arte-educadora Mônica Hoff levou ao Museu de Arte da Pampulha uma série de reflexões sobre a própria trajetória profissional, trazendo à discussão conceitos como aprendizagem e desaprendizagem, contrapedagogias e pedagogias do poder. Entre os projetos comentados, figura a ação “Oficina Pública de Perguntas”, voltada a públicos de todas as idades. 

Mônica é artista, curadora, pesquisadora, e co-fundadora do Espaço Embarcação, em Florianópolis. É Mestre em História, Teoria e Crítica de Arte pela UFRGS, e atualmente cursa doutorado em Processos Artísticos Contemporâneos no PPGAV/UDESC.



Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Beatriz Lemos

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Beatriz Lemos

A construção de um vocabulário anticolonial

Entre os dias 10 e 12 de abril de 2019, de sexta a domingo, a Casa Kubitschek e o Museu de Arte da Pampulha receberam o primeiro encontro imersivo entre os artistas contemplados pelo Bolsa Pampulha 2018/2019 e os integrantes da comissão de acompanhamento do programa – Augusto Fonseca, Beatriz Lemos, Júlia Rebouças, Mônica Hoff e Samantha Moreira.

Ao longo dos dois primeiros dias do encontro, sediados na Casa Kubitschek, os artistas apresentaram seus projetos de pesquisa, estabelecendo diálogos e recebendo críticas, considerações e sugestões dos integrantes da comissão em relação ao desenvolvimento dos trabalhos.

No último dia da imersão, a curadora e pesquisadora Beatriz Lemos levou ao Museu de Arte da Pampulha uma série de reflexões sobre a própria trajetória profissional, vinculada à plataforma Lastro – Intercâmbios Livres em Arte e dedicada à investigação de caminhos para a descolonização da arte contemporânea latino-americana. 

Beatriz atua como curadora e pesquisadora especializada em articulações em redes. É idealizadora da plataforma de pesquisa Lastro – intercâmbios livres em arte. Em 2017/2018 integrou o júri curatorial do 20º Festival de Arte Contemporânea – Sesc/Videobrasil. Tem realizado cursos e oficinas sobre processos anticoloniais no Brasil e América Latina e, atualmente, coordena o Grupo de estudos Lastro na Casa 1 (SP).



Desali (BR)

Desali (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

A partir de lambes, cartazes e outras estratégias de intervenção urbana, Desali tem se dedicado a tratamentos poéticos da realidade das ruas, investindo na visibilização de apagamentos sociais e na sobreposição de diferentes tempos no mesmo espaço. Em seu trabalho, chama atenção a uma lógica de controle e higienização urbana que demanda permanentemente a invenção de inimigos públicos. Desviando-se dos suportes tradicionais convencionais da arte, inclui em suas criações elementos de sinalização e publicidade urbana, assim como materiais encontrados em caçambas e canteiros de obras. Como dispositivos de criação, figuram frequentemente derivas urbanas, assim como a criação de coletivos temporários que servem como espaços de troca e aprendizagem.

No programa Bolsa Pampulha 2018/2019, o artista se dedica uma ampla investigação histórica em torno do apagamento dos trabalhadores envolvidos na construção artificial da região da Pampulha, assim como do deslocamento de comunidades que viviam por lá antes do processo de “modernização” da área. Como dispositivo crítico para preencher lacunas e desvios identificados nas narrativas que compõem a história oficial da cidade, o artista apresenta um vídeo inédito gravado no museu, uma performance com o coletivo Piolho Nababo, além de uma série de intervenções visuais e textuais em periódicos dos anos 1930 e 1940.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Carne Quebrada

O artista se dedica a uma ampla investigação histórica em torno do apagamento dos trabalhadores envolvidos na construção artificial da região da Pampulha, assim como do deslocamento de comunidades que viviam por lá antes do processo de “modernização” da área. Como dispositivo crítico para preencher lacunas e desvios identificados nas narrativas que compõem a história oficial da cidade, Desali apresenta um vídeo inédito gravado no museu, uma performance com o coletivo Piolho Nababo, além de uma série de intervenções visuais e textuais em periódicos dos anos 1930 e 1940.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Galeria de Arte Itinerante Dandara

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, e em parceria com Aura da Luta, Desali inaugura uma Galeria Itinerante na ocupação Dandara, dando continuidade às experiências do projeto Galeria William Rosa, realizadas na ocupação William Rosa, em Contagem.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Leilão Piolho Cassino Dandara


Desde 2011, o coletivo Piolho Nababo organiza a performance Leilão de Arte Piolho Nababo. A ação representa uma sátira aos tradicionais leilões e negociatas que integram o mercado da arte. As transações acontecem em clima de festa, animadas por bandas independentes e DJs.

Guerreiro do Divino Amor (BR)

Guerreiro do Divino Amor (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Em seu projeto Atlas Superficcional Mundial, Guerreiro do Divino Amor vem criando um universo de ficção científica a partir de elementos da realidade social contemporânea. Sua poética parte de confrontos e composições entre duas orientações civilizatórias que disputam o controle da Terra e da mente dos seus habitantes: o império, com sua lógica colonial, matemática e higienista, e a pluriversal e instintiva galáxia, que remete à Terra como um pequeno planeta de um grande sistema que em muito nos ultrapassa.

Dentro do projeto, que inclui criações audiovisuais, instalações e publicações impressas, o artista vem realizando uma análise crítica da sociedade brasileira a partir de estudos multidisciplinares sobre cidades como o Rio de Janeiro, onde vive, além de São Paulo e Brasília. Trazendo o excesso como recorrente recurso de linguagem, investiga as múltiplas ficções e mitos em torno dessas cidades e chama atenção a imaginários coletivos concorrentes que, sobretudo por meio de canais midiáticos, rondam as metrópoles brasileiras.

No Bolsa Pampulha 2018/2019, o artista se propõe a incluir Ouro Preto, Belo Horizonte e Brasília neste mapa crítico, entendendo as superficções mineiras – ou ainda, minerais – como protótipos de um racionalismo pálido e colonial que encontraria seu ápice na criação da artificialmente moderna capital brasileira.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Capítulos inéditos do Atlas Superficcional Mundial: O Mundo Mineral & a Cristalização de Brasília

Guerreiro do Divino Amor produziu mais um capítulo da série Atlas Superficcional Mundial. Depois de Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília (finalista da edição 2019 do renomado prêmio PIPA), o artista inclui Minas Gerais em sua ficção superrealista. O artista vem realizando uma análise crítica da sociedade brasileira a partir de estudos multidisciplinares sobre cidades, trazendo o excesso como recorrente recurso de linguagem e investigando as múltiplas ficções e mitos em torno delas. Chama atenção a imaginários coletivos concorrentes que, sobretudo, por meio de canais midiáticos, rondam as metrópoles brasileiras.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Conferência Superficcional

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Guerreiro do Divino Amor propôs a Conferência Superficcional, realizada no MIS Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte. Na ocasião, o artista apresentou a gênese e os caminhos para a construção do Atlas Superficcional, e exibiu oito curtas: “A Batalha de Bruxelas”; Guerra entre Império e Galáxia: a escala local e mundial; SuperRio, um ecossistema superficcional no Rio de Janeiro pré-olimpico; Clube da Criança, cosmogonia do desabrochar do desejo na infância; Supercomplexo Metropolitano Expandido, máquina superficcional de poder sucesso e expansão; Helvetia: panteão alegórico; Brasília: futuro como cristalização do passado (Formação, Embalsamento e nova Alvorada); e Construções da mineralidade: famílias minerais, cozinha mineral, propriedades dos minerais.
Sara Lana (BR)

Sara Lana (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Boa parte da obra da belo-horizontina Sara Lana deriva de seu interesse pela escuta, com atenção especial a sons não-musicais, detectados a partir de microfones instalados em matilhas de cães ou ainda em sobreposições de narrações de jogos de futebol. A partir desses elementos, a artista investiga o que há de comum e discrepante em variadas narrativas sonoras. Em trabalhos mais recentes, tem se dedicado à busca de pontos cegos, surdos, mudos na cidade, considerando a onipresença, a desregulação e a possibilidade de mapeamento de câmeras urbanas em diferentes centros brasileiros.

No programa Bolsa Pampulha, dá continuidade a uma investigação realizada a partir de câmeras de vigilância residenciais, considerando as contradições de um sistema que ao mesmo tempo vigia e expõe os vigiados. Segurança e exposição, proteção e desproteção, visibilidade e invisibilidade são alguns dos campos de interesse da artista, que a partir do amplo material levantado propõe uma reflexão sobre algumas disfuncionalidades da hiper-vigiada sociedade em que vivemos.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços I

Em Espécies de Espaços I são apresentados, em vídeo e anotações, diários íntimos de 5 personagens construídos a partir de imagens domésticas de câmeras de vigilância deixadas abertas na internet.

Indivíduos e seus gestos são eliminados para mostrar-nos o que resta de sua convivência com os objetos da casa, o deslocamento de uma planta na sala de estar, a entrada de um cachorro pela porta da frente, fazendo-nos estranhar processos naturalizados de vigilância em nosso mundo contemporâneo.

Os procedimentos não são expostos ou revelados, mas há um jogo com o arquivo obtido na captura e observação dessas imagens. Por outro lado, as pessoas agem como se não estivessem sendo observadas e confiam plenamente, ou quase, na tecnologia a seu dispor.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços II

Um conjunto de imagens nos oferece a visão sobre a ocupação aparentemente inofensiva das aranhas. O dado importante sobre estas imagens é que elas são registros realizados por câmeras de vigilância domésticas do mundo inteiro. São incontáveis as câmeras que tiveram suas imagens inviabilizadas graças às aranhas que, em disputa pelas quinas, tramaram teias na frente desses aparatos.

Espécies de Espaços II é resultado da coleta dessas imagens, partindo de câmeras deixadas abertas na internet por negligência de seus usuários. Aparentemente, uma aranha leva de 20 a 30 minutos para tecer sua teia. Esta, que por sinal também é a palavra em inglês usada para nomear a grande rede que nos conecta globalmente (web), torna-se a imagem mais crítica desse conjunto. É a única capaz de realmente fornecer uma ideia de privacidade e proteção.

Esse trabalho faz parte de uma longa investigação realizada a partir de câmeras de vigilância residenciais, considerando as contradições de um sistema que ao mesmo tempo vigia e expõe os vigiados. Segurança e exposição, proteção e desproteção, visibilidade e invisibilidade são alguns dos focos dessa pesquisa, que a partir do amplo material levantado propõe uma reflexão sobre algumas disfuncionalidades da hiper-vigiada sociedade em que vivemos.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços III

Em Espécies de Espaços III são apresentadas imagens de câmeras de vigilância que geram estranhamento, surpresa ou indagações. Seja por sua inesperada poética, como paisagens cuja composição é digna de enquadros cinematográficos, ou por captarem cenas inusitadas, como insetos que fizeram da câmera um ninho bastante singular.

No entanto, é importante destacar, que imagens capturadas pelas câmeras de vigilância não são feitas exatamente para a apreciação de um espectador. A um primeiro contato, supomos que não há muito para ser visto. Tais imagens, escoadas para um arquivo virtual, não têm exatamente um destinatário, mas cumprem a função de monitoramento sob o argumento da segurança.

As câmeras, com a anuência de seus proprietários, produzem imagens para um arquivo raramente acessado. A maioria delas sequer é baixada para dispositivos como o computador, ao menos que haja alguma ameaça à propriedade vigiada.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Táticas de (in)visibilidade: pontos cegos e rotas invisíveis

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Sara Lana promoveu o encontro Táticas de (in)visibilidade: pontos cegos e rotas invisíveis, no Centro de Referência da Juventude, em Belo Horizonte. A ação consistiu em uma apresentação inicial do projeto Pontos Cegos, seguida de uma caminhada com o público participante pelo hipercentro de BH, com intuito de mapear, coletivamente, as câmeras de segurança do perímetro percorrido. Com o mapa construído, o grupo fez o primeiro teste do Traçador de Rotas de invisibilidade.


– Programa de Residências Internacionais – 2017 – Matilha

Em Matilha, a artista mineira Sara Lana propõe um estudo do espaço sonoro do JA.CA partindo da perspectiva auditiva dos cães vira-la habitantes do Jardim Canadá. Para tanto, a artista construiu circuitos elétricos, equipados com microfones e transmissores FM, operando em distintas bandas de frequência. Esses circuitos foram acoplados em vários cães do bairro, com o objetivo de analisar e registrar os áudios que compõem o entorno sonoro dos cachorros da região.

O trabalho foi realizado em parceria com a comunidade canina do Jardim Canadá no intento de estabelecer um vínculo de protocooperação com os animais. A protocooperação é uma relação benéfica para ambas as espécies, portanto, em troca de suas atuações como agentes da pesquisa, Sara Lana ofereceu para eles algo em troca, impactando, porém, o mínimo possível em seu cotidiano.

Sallisa Rosa (BR)

Sallisa Rosa (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

O que é ser indígena hoje? Recusando a imagem de povos indígenas congelados no tempo, assim como os tratamentos tradicionalmente atribuídos aos mesmos povos pelas artes visuais e a antropologia, os trabalhos de Sallisa Rosa se voltam à trajetória de indígenas urbanos em território brasileiro. Como forma de dar a ver um contexto marcado por violências e migrações forçadas, assim como pelo apagamento de ancestralidades, memórias e rituais, a artista reconstrói um álbum de infância como performance narrativa, no qual os registros fotográficos, inexistentes, cedem lugar a legendas ouvidas e inventadas. Vivendo há quatro anos no Rio de Janeiro, em uma comunidade urbana formada por indígenas de diferentes origens, a artista lembra que não são os indígenas que estão nas cidades, mas as cidades, sim, se situam em territórios indígenas.

Durante o programa Bolsa Pampulha 2018/2019, ela reflete sobre o esgotamento de sentidos característico ao mundo globalizado, defendendo a revalorização de culturas ancestrais a partir de atitudes que podem parecer arcaicas, mas tornam-se, ao final, futuristas. Ao afirmar a mandioca como caminho artístico ancestral, propõe a criação de uma horta no terreno anexo ao Museu de Arte da Pampulha. A partir de Umuarama (“lugar de descanso”), a artista dá início a um processo que remete à divisão originária do território americano, coloca nossas raízes de volta à cultura e ao mundo da mandioca e vislumbra, por fim, a possibilidade de enraizar a cultura indígena na cidade de Belo Horizonte.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Umuarama: Conversa ao pé da fogueira

Ao afirmar a mandioca como caminho artístico ancestral, Sallisa Rosa criou uma horta no terreno anexo ao museu. A partir de Umuarama (nome indígena para “lugar de descanso”), deu início a um processo que remete à divisão geopolítica originária do território americano: Povos da Mandioca, no Brasil; Povos da Batata, nos Andes; e Povos do Milho, parte do que chamamos América Latina. Ela vislumbra a possibilidade de enraizar a cultura indígena na cidade de Belo Horizonte, lembrando que não são os indígenas que estão nas cidades, mas as cidades que se situam em territórios indígenas.

Em sua ação, todos serão convidados a fazer comida, que é a base da alimentação dos povos originários de Abya yala (nome indígena para América): mandioca, milho, batata, peixe, pajuaru. Uma fogueira será construída no terreno anexo ao museu, onde ocorrerá conversa no modo indígena, com cantos e histórias.

Umuarama

Umuarama, no tupi: “local ensolarado onde se encontram os amigos, lugar de descanso”.

A palavra “arte” não tem tradução em quase nenhuma língua indígena porque, assim como no contexto ancestral africano, os povos tradicionais não separam a arte da vida. Assim, a arte abrange um universo de práticas que não são necessariamente um objeto ou um artefato, mas que compõe em ritualizar a vida.

No mundo globalizado em que vivemos com esgotamento de sentidos, faz-se necessária a construção de novos valores que deslocam para revalorização da cultura ancestral, o que deveria parecer arcaico, mas é, ao final, futurista. Nesse sentido, nasce a Horta de Mandioca, em terreno anexo ao Museu de Arte da Pampulha.

leia mais: guaja.cc/horta-de-mandioca/


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Roda de Conversa e Oficina de Cartazes

Durante a residência, Sallisa Rosa promoveu duas ações com o objetivo de compartilhar sua investigação sobre como o processo de colonização repercute na produção de imagens principalmente quando se trata dos povos originários.

A primeira delas consistiu em uma roda de conversa aberta ao público realizada no Centro de Referência da Juventude (CRJ), no centro de Belo Horizonte. Entendendo que a colonização não se encerrou em determinada data, e que, por isso, também acontece via imagem, a artista apresentou trabalhos próprios e de outros fotógrafos e artistas indígenas e não-indígenas com o objetivo de refletir sobre descolonização e identidade nativa contemporânea.

A segunda ação, aberta ao público mediante inscrição e também realizada no CRJ, convidou os participantes a produzir cartazes e pensar em palavras, frases e imagens que contribuem para o processo de descolonização e ajudam a pensar sobre as urgências indígenas contemporâneas.

Ventura Profana (BR)

Ventura Profana (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Nascida em Salvador e radicada no Rio de Janeiro, a artista-travesti Ventura Profana problematiza os efeitos sociais, culturais e políticos dos processos de tradução e interpretação de textos bíblicos, historicamente apropriados por projetos políticos de embranquecimento populacional e concentração de poder. Em alguns trabalhos, realiza interferências visuais sobre imagens, objetos e produtos relacionados ao universo cristão, de modo a questionar a associação entre fé e “neutralização” dos corpos. Como em um plano de salvação coletiva, propõe a disputa pela narrativa de Jesus como um corpo dissidente, não hegemônico e não-normativo. Afirmando a si mesma como um corpo apocalíptico, defende a ressignificação e a apropriação do milagre como potência de vida.

Sua proposta para o programa Bolsa Pampulha 2018/2019 envolve estudos e redesenhos de mobiliários geralmente encontrados em Igrejas, assim como a gravação de um disco em que possa professar, em alto e bom tom, suas palavras de salvação. Ventura dedica-se ainda à criação de uma Igreja capaz de abrigar encontros e rituais coletivos nos quais possa disseminar sua fé entre outros corpos dissidentes da cidade de Belo Horizonte. Se Deus pode ser Deise, como ela se manifesta em nossos corpos?


–Bolsa Pampulha 2018/2019 – Tabernáculo da Edificação

Ventura Profana problematiza os efeitos sociais, culturais e políticos dos processos de tradução e interpretação de textos bíblicos, que para a artista foram historicamente apropriados por projetos políticos de embranquecimento populacional e concentração de poder. A artista propõe a disputa por outras narrativas como a de corpos dissidentes, não hegemônicos e não-normativos. Afirmando a si mesma como um corpo apocalíptico, defende a ressignificação e a apropriação do milagre como potência de vida. Intitulada Tabernáculo da Edificação, sua proposta para o programa Bolsa Pampulha envolve estudos e redesenhos de mobiliários geralmente encontrados em Igrejas, assim como a gravação de um clipe em que possa professar, em alto e bom tom, suas palavras de salvação.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Trava fantástica, literatura e composição de travesti
Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, a cantora, escritora, compositora, performer e artista visual Ventura Profana propôs a oficina “Trava fantástica, literatura e composição de travesti”, com o objetivo de discutir a potência da escrita no vislumbre e demarcação de outras possibilidades de vida. Em dois encontros, ela apresentou trechos de escritos, letras de canções, manifestos produzidos por travestis da última década.
De que maneira as palavras exercem poder sobre a realidade? Literatura de trava é arma de guerra. A oficina também contou com leituras e discussões com base em textos de autoras como Jota Mombaça, Linn da Quebrada, Jup do Bairro, Rosa Luz e Monna Brutal.
Simone Cortezão (BR)

Simone Cortezão (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Dedicada ao desenvolvimento da Trilogia das Escavações, iniciada em 2010 e composta por três filmes situados entre documentário e ficção, Simone Cortezão investiga o contexto da exploração de recursos naturais em Minas Gerais a partir de distintas perspectivas, escalas, tempos e espaços. Atravessadas por paisagens naturais e artificiais, suas obras se voltam, por exemplo, às complexas relações entre quintais e eucaliptais, em contextos nos quais a urbanização se dá a partir de situações de industrialização, assim como à intensa transferência de recursos naturais de um lado a outro do planeta. Encontrando na ficção um meio de acessar universos vetados ao tratamento meramente documental, sua pesquisa afirma a escavação como ativação de passados e existências enterradas sob o solo.

No Bolsa Pampulha, a artista-pesquisadora visa a captação de sons produzidos em áreas desativadas de mineração, buscando gerar testemunhos sonoros da matéria em estado de coma, os quais serão combinados a depoimentos de xamãs e cientistas sobre o mesmo fenômeno. Ante um contexto marcado pelo desgaste das imagens, aposta na potência do som e da escuta como modos de acessar reverberações de violentos gestos humanos sobre a Terra.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Terras Remotas

Em Terras Remotas, a artista-pesquisadora capta sons produzidos em áreas desativadas de mineração, buscando gerar testemunhos sonoros da matéria em estado de coma, os quais serão combinados com textos e dados sobre o mesmo fenômeno. Ante um contexto marcado pelo desgaste das imagens, aposta na potência do som e da escuta como modos de acessar reverberações de violentos gestos humanos sobre a Terra. Para a exposição, Simone produziu dois vídeos que expõem o diálogo de imagens e de sons, composto de conversas, de dados da mineração, do vagar por esses espaços arrombados, e de imagens de montanhas mineradas e não mineradas.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Exibição e sessão comentada: Navios de Terra

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, foi exibido no MIS Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte, o filme Navios de Terra, dirigido por Simone Cortezão. A sessão contou com comentários da diretora e Luis Fernando Mouro, e mediação de Daniel Toledo.

Há anos a montanha é deslocada entre dois países: Brasil e China. Rômulo, ex-minerador e agora marinheiro, segue levando parte da montanha e vai ao encontro de outra. Na imensidão do mar, ele conhece outros viajantes, e em momentos febris encontra as memórias e o espírito da terra. Num cotidiano atravessado por outras línguas que ele não fala, mesmo sem entender, as conversas em desencontro acontecem. Assim, Rômulo vai enfrentar dias lentos na imensidão do oceano até o outro continente.

Alex Oliveira (BR)

Alex Oliveira (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Interessado em dinâmicas de participação, encontro, relação e jogo, o artista baiano Alex Oliveira propõe ao Bolsa Pampulha 2018/2019 o desenvolvimento do projeto Fotoperformances Populares, que prevê o desenvolvimento de um dispositivo capaz de ativar performances populares em distintos contextos urbanos da cidade de Belo Horizonte e produzir, a partir dessas situações, registros fotográficos de transeuntes. À investigação proposta, interessa abrir espaço à colaboração e à revelação de subjetividades desses colaboradores, experimentando, para isso, gestos mínimos do artista.

Como acessar e abordar essas pessoas? Como identificar o desejo de ser fotografado ou fotografada? Como voltar-se à performatividade das pessoas no mundo? Quem são essas outras e outros? Que histórias, memórias e imagens vão trazer? Como transitar entre a reprodução de imagens herdadas e construção ativa, por vezes intencional, de imagens construídas no presente? Como experimentar a auto-ficção, a docuficção e a docu-fricção?


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Fotoperformance Popular

Fotoperformance Popular é uma obra composta por 90 fotografias produzidas no Centro de Belo Horizonte. A instalação do estúdioperformance na cidade permeia uma criação coletiva entre fotografia, performance participativa e intervenção urbana. Resulta em um álbum de fotografias que suscita um sentimento de pertencimento, revelando, em grande parte, vendedores autônomos, profissionais liberais, camelôs, cabeleireiros, barbeiro, lavador de carro, gritadeiras, ambulante do café, auxiliar financeiro, funcionários públicos, desempregados, estudantes, artistas, performers, produtores, motorista, mestre de obras e vendedor de picolé.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Oficina Fotoperformance Popular

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Alex Oliveira propôs a oficina Fotoperformance Popular, realizada na Câmera Sete – Casa da fotografia de Minas Gerais, no centro de Belo Horizonte. A ação ocorreu em dois dias. No primeiro, os participantes foram suscitados a criarem fotoperformances no espaço urbano, dividindo com os transeuntes suas respectivas ações performáticas. O artista trouxe à tona a técnica de lambe-lambe, mostrando algumas referências visuais das possibilidades e potências em torno da ocupação e intervenção por meio da fotografia. No segundo dia, os participantes compartilharam as fotoperformances produzidas a partir da técnica lambe-lambe, colando-as em diferentes pontos da Praça Sete.

Davi de Jesus do Nascimento (BR)

Davi de Jesus do Nascimento (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Guiado por forte escuta familiar, assim como por acontecimentos que remetem à sua comunidade barranqueira de origem, Davi de Jesus do Nascimento toma como pontos de partida de seu trabalho o falecimento da própria mãe e o adoecimento do rio São Francisco.

A partir de criações que abrangem ações ritualísticas, vídeos, fotografias, textos poéticos e pinturas terrosas, aborda o ser humano e suas memórias como matéria essencialmente orgânica, entendendo a arte como campo propício à coletivização de dores que permeiam a passagem do tempo. Dedica-se ainda à produção de auto-retratos e retratos de si em contextos rurais e urbanos, além de composições a partir de fotografias, alimentos, fósseis de animais e outros objetos, gerando efeitos que remetem a processos de luto, perecimento e integração que sucedem a morte da matéria.

No Bolsa Pampulha, em constante companhia de uma carranca de madeira com peso de 20kg, típica das embarcações do Velho Chico, o artista se afirma como um corpo-embarcação: um corpo-rio que circula em territórios cimentados aos quais não pertence nem quer pertencer. A partir de idas e vindas à sua cidade natal, traz ao Museu de Arte da Pampulha um conjunto de canoas de pescadores da sua região, tornadas em esculturas – quiçá monumentos – a partir de poéticas interferências do artista.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Corpo-Embarcação

Em constante companhia de uma carranca de madeira com peso de 20kg, típica das embarcações do Velho Chico, o artista se afirma como um corpo-embarcação: um corpo-rio que circula em territórios cimentados aos quais não pertence nem quer pertencer. A partir de idas e vindas à sua cidade natal, Pirapora (MG), traz um conjunto de canoas de pescadores da sua região, tornadas em esculturas, quiçá monumentos, por meio de poéticas interferências do artista. A obra pôde ser vista no interior do museu, em seus jardins e também na orla da Lagoa.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 –Pescador tecendo rede é aranha: Oficina com Davi Nascimento

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, o artista Davi de Jesus do Nascimento propôs uma oficina de rede de pesca conduzida por seu pai, Davi Nascimento. A atividade aconteceu na Casa Kubitschek, em Belo Horizonte.

Pescador tecendo rede é aranha

“Meu pai sempre me disse que a rede de pesca tecida manualmente é mais bem feita e melhor pra pegar peixe. Convidei ele – que é marceneiro, pescador e escultor de canoas – para ministrar a oficina, uma vez que, com o aparecimento de fábricas de redes, a feitura artesanal tem diminuído cada vez mais, paralela ao adoecimento dos rios e extinção dos peixes.”
Davi de Jesus do Nascimento

Gê Viana (BR)

Gê Viana (BR)

–Bolsa Pamulha 2018/2019 – Pesquisa

Nascida na zona rural do Maranhão, Gê Viana desenvolve um trabalho iniciado a partir da construção de arquivos visuais e da manipulação dessas imagens, problematizando questões relacionadas à ancestralidade afro-indígena e à normatividade de gênero e da sexualidade humana. A partir de fotografias, fotomontagens e ações urbanas, realiza intervenções visuais em fachadas de casas de taipa e muros urbanos, aos quais acrescenta camadas relacionadas ao pixo e à presença de corpos e atitudes marginalizados pela sociedade hegemônica. Em alguns trabalhos, estabelece diálogos com os campos da dança e da performance, dedicando-se ao que chama de corpografia do pixo, em processos nos quais busca ressaltar dimensões artísticas e performáticas da mesma atividade, assim como aspectos corporais geralmente invisibilizados pela marginalidade social imposta aos pixadores.

No Bolsa Pampulha, desenvolveu uma pesquisa sobre a cultura da cana e do canavial, entendendo-os como traço de uma ancestralidade a ser ressignificada no presente. A partir de aproximações entre a cana e a selenita, propõe e registra rituais em uma lavagem da história de mulheres da periferia de Belo Horizonte, que igualmente carregam em si seus ancestrais. Assim como opera na série Paridade, tais registros são justapostos aos cortadores de cana escravizados do passado, num processo de observação da história colonial e miração de outros tempos.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Sobreposição da História

Desenvolve uma pesquisa sobre a cultura da cana e do canavial, entendendo-os como traços de uma ancestralidade a ser ressignificada no presente. A partir de aproximações entre a cana e a selenita, propõe e registra rituais de cura e fortalecimento de moradores da periferia de Belo Horizonte, que hoje plantam cana em seus quintais. Assim como opera na série Paridade, tais registros são justapostos aos cortadores de cana escravizados do passado, num processo de observação da história colonial e miração de outros tempos. Ela expõe fotomontagens em sacos de ráfia, impressas em tamanho real, com mulheres retratadas com máscaras ninja, ornamentadas com pedaços de cana e cristal selenita. Vídeos mostram mulheres moendo cana, extraindo caldo do cristal para que seja feita a lavagem das vezes em que os ancestrais tiveram seus pés e mãos calejados e cansados da escravidão na História.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Corpo pixador e corpo performer: Conversa aberta com Gê Viana e Wanatta

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Gê Viana promoveu, junto a artista Wanatta, a palestra “Corpo pixador e corpo performer – A estética das pixações a partir de corpografias urbanas”, realizada na Escola Livre de Artes Arena da Cultura, no centro de Belo Horizonte.

A fala e pesquisa tomou como base a performance Corpografias do Pixo, cujas apresentações proporcionaram a análise do fenômeno da pixação nas cidades de Teresina, São Luís, Fortaleza, Brasília e São Paulo. Essas cidades foram analisadas a partir do seu contexto social e histórico, com foco nos primeiros movimentos de pixação e respectivas particularidades locais. A proposta foi analisar a estética das pixações, seus processos de criação e o corpo dos indivíduos durante o ato de pixar.

ATELIÊ NO PRÉDIO

ATELIÊ NO PRÉDIO

O JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, em parceria com a Ernesto – Plataforma de Humanização, abre o presente edital para a escolha de artistas e de coletivos locais, com trabalhos nas mais diversas linguagens, para desenvolverem projetos inéditos durantes seis (6) meses de vivência no Edifício Almeida – Centro de Inspiração. Os projetos devem ser destinados a repensar as dinâmicas e o território do Centro de Belo Horizonte, propondo atividades colaborativas e/ou que sejam abertas a interações e participação da comunidade local.

almeidaSITE

Uma vivência proposta com a criação de uma comunidade de artistas dispostos a se debruçar sobre as dinâmicas do centro de Belo Horizonte em prol de ressignificá-lo através da ocupação do Edifício Almeida – Centro de Inspiração e a dividir despesas coletivas (segurança, limpeza, internet e manutenção básica), necessárias ao seguro e adequado funcionamento do espaço em que trabalharão. Funcionam 12 ateliês nos 02 primeiros andares do Almeida, e o JA.CA e a Revista Ernesto dividem uma grande sala, que chamamos de “Escola”, onde promoveremos diversas ações.

Este é um programa bem diferente dos propostos anteriormente pelo JA.CA, leia atentamente o REGULAMENTO para entender mais sobre ele.



INSCRIÇÕES LEITURA DE PORTIFOLIO

 

Programa de Residências 2015 CONVOCATÓRIA

O JA.CA abre convocatória para residências artísticas para o ano de 2015.

O comitê externo formado por Daniella Domingues, Fabíola Moulin e Fernando Maculan selecionará 03 artistas para residências de 02 meses.

EDITAL E FORMULÁRIO DE INSCRIÇÕES AQUI

edital

 

Inscrição Salão das Artes de São Luís

Inscrição REBOQUE

Jardim Canadá
Centro de Arte e Tecnologia

Rua Vitória, 886

34000-000 . Nova Lima . MG

+55 31 3097 2322

info@jaca.center