EXPOSIÇÃO – e de novo montanha, rio, mar, selva, floresta




EXPOSIÇÃO ◉ ABERTURA
08/03/2016, Galeria GTO Sesc Palladium, às 19h
com obras de Berglind Jóna, C. L. Salvaro, Fabiana Faleiros,
Fernanda Rappa, Jarbas Lopes, Luiz Roque, Maura Grimaldi e coletivo TAZ.



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Gustavo Torrezan (BR)

Gustavo Torrezan (BR)

– Ciclo de Residência – 2019 – Convenção Mundial dos Países Imaginários

O trabalho foi realizado em colaboração com os alunos do 3º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Benvinda do Jardim Canadá, Nova Lima, Minas Gerais. O projeto se deu a partir de uma série de encontros ao longo do período de um mês, nos quais se buscou a fabulação de uma convenção mundial de países imaginários, mote para se debater conflitos já existentes e para se estimular a imaginação de outros possíveis futuros. Partindo dessas premissas, os alunos tornaram-se responsáveis por elaborar e representar seus respectivos países imaginários, bem como sua cultura, escrita, idioma, bandeira, indumentárias, códigos, vozes, valores e desejos. Em um contexto de reflexão sobre as noções de nação e identidade (e em uma fase escolar de solidificação da leitura e de expansão do conhecimento interdisciplinar) os alunos da Escola Benvinda tornaram-se protagonistas em um processo de concepção de políticas alternativas para a construção de um novo mundo. Assim, com o intuito de reforçar o papel social da escola e a valorização da criança enquanto sujeito propositor e criador, o trabalho intitulado a Convenção Mundial dos Países Imaginários utilizou da fabulação como um mecanismo para se testar procedimentos de negociação e para se estimular modos de convívio e de contato com a dissidência.

Bruno Rios (BR)

Bruno Rios (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2017 – Jardim

O processo de investigação na residência foi inicialmente orientado pelo interesse nas formas de construção e possibilidades de paisagens do bairro Jardim Canadá. Buscando verificar como os agentes ali presentes reconfiguravam o espaço cotidianamente, me interessou pensar a relação com a natureza que circunda e se presentifica no bairro a partir de gestos distintos e de escalas diferentes.

A partir do alargamento do conceito de jardim, como plataforma de cultivo e aproximação com a natureza e com entorno – e consequentemente potente na possibilidade de criação paisagística – tomei como referência o termo canteiro para orientar as investigações acerca dos gestos presente no bairro. Canteiro se traduz na possibilidade de cultivo em escala doméstica, afetiva, diminuta, presente em boa parte das casas do bairro através de hortas e jardins. Por outro lado o entendimento do termo canteiro também se refere à uma escala e a um gesto mais agressivo, se relacionando com a crescente especulação imobiliária no bairro, com a mineração que o circunda e com a lógica expansiva e progressista que avança não somente por aquela região; logo por sua vez se traduz como canteiro de obras, como espaço propulsor de crescimento urbanístico e capital.

Referenciado nessas duas lógicas, em duas dinâmicas de gestos em relação ao espaço do bairro, busquei inicialmente realizar caminhadas e passeios de bicicleta pelo entorno do JA.CA. na tentativa de reconhecimento desse território. Através dessas errâncias me propus mais a ouvir o bairro, e tentar compreender a formas como a natureza desses gestos estavam presentes, que intencionar ou subjugar uma interpretação prévia do local.

Assim, na tentativa de uma espécie de escanamento do bairro, me propus a realizar filmagens cotidianas de situações e locais que se articulavam com a natureza e suas representações das mais diversas formas. Encontrei assim na imagem audiovisual a possibilidade de levantar as questões que estavam presentes no projeto, de forma a traduzir quase documentalmente as próprias problemáticas que circundam o bairro como um todo e sua relação com a natureza ali presente.

Inicialmente tocado e evolvido com uma parte da produção do cinema estrutural, produzido na décadas de 60 e 70, principalmente nos EUA, onde o uso de longas tomadas e câmeras fixas possibilitavam uma maior apreensão da imagem em si, evidenciando em boa parte das paisagens captadas o gesto humano de urbanização e vontade de progresso; me aproximei desta forma de captura da realidade, interessado em posteriormente transgredi-la nas possibilidades de montagem e decoupagem; podendo criar a partir daí uma narrativa que esbarrasse nas formas ocultas e misteriosas que envolvem a própria natureza e nosso entendimento dela.

Por este caminho, comecei a pensar o filme como uma experimentação que trouxesse em seu registro documental possibilidades de alargamento das paisagens do bairro. Trabalhei efetivamente na busca de uma narrativa a princípio linear, em que o passar de um dia no bairro fosse evidenciado, mas que dentro dessa lógica houvessem possibilidades de fabulação e ficção, inscritas pela própria montagem, pelas cenas absurdas e surreais ou pelo trabalho de som desenvolvido no filme, buscando criar de certa maneira um bairro que não se comprometesse fielmente ao Jardim Canadá, mas que em suspensão, pudesse se tornar um lugar qualquer, um espaço de sonhos e devaneios.

Pensando nestas possibilidades de criação narrativa e ficcional me pareceu inevitável pensar em semelhança o espaço do vídeo e do trabalho audiovisual como o próprio espaço do bairro. Mais claramente, o que se evidenciou durante o processo da residência é como as formas infinitas de montagem das cenas possibilitadas pelo vídeo poderiam também ser pensadas como possibilidades de construção de espaço físico e estrutural daquele espaço. Assim, em certa medida, seria pensar através e pela paisagem do bairro como seus espaços poderiam ser refletidos dentro do vídeo, trazendo para dentro da montagem de modo metafórico seus cruzamentos, seus lotes vagos, seus sons, suas arquiteturas, seus habitantes, etc.

Da mesma forma, a partir das atividades presentes no bairro, busquei compreender a natureza dos gestos de corte de cada uma delas – mineração, floricultura, marmoraria, etc – pensando como estes cortes poderiam ser evidenciados dentro da montagem pela transição entre as imagens filmadas; transpondo o gesto físico de fissura para um gesto temporal e narrativo no filme.

Acredito que a abertura do projeto, interessado em se relacionar diretamente com o bairro, não visando a princípio um resultado final formalizado e enquadrado, tornou-se maior pela própria qualidade da residência no JA.CA, onde a experimentação com as formas artísticas é compreendida e considerada como fator relevante dentro do processo. Acredito ainda, que as possibilidades de cruzamentos poéticos dentro do período da residência no que diz respeito à realização do vídeo se deu de modo mais pleno por uma vivência intensa em uma região que vem sofrendo mudanças constantes em sua paisagem; fator que possibilita readequações e reconsiderações diárias dos nossos modos de olhar para o bairro.

Alexandre Brandão (BR)

Alexandre Brandão (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2017 – Paisagem aberta

Comecei minhas andanças pelo Jardim Canadá assim que acomodei a bagagem no contêiner que me serviria de quarto e me abrigaria pelos próximos dois meses. É significativo instalar-se por esse período em uma caixa de grandes dimensões destinada a transportar coisas de um lugar a outro, em princípio uma habitação provisória de objetos que atua no trânsito entre dois pontos do tempo e do espaço. Aumentava ainda mais a sensação de estar em um lugar onde a ideia de permanência é tão escapável, um lugar onde tudo parece suspenso em uma transição para alguma escala temporal – futuro ou passado – ainda desconhecida. A ideia da caminhada era justamente começar a ver alguns lotes vagos, base do projeto a ser desenvolvido durante esse período, e entender como são feitas as placas que anunciam aqueles terrenos para venda ou locação. Uma pesquisa de matérias: esses anúncios são formatados ora sobre faixas de tecido ora em chapas de PVC ou metal fixadas nas cercas de arame farpado ou em estacas fincadas no chão. Queria apropriar-me da mesma formatação desses aparatos na produção de intervenções que mantivessem uma certa naturalidade com o ambiente. O estranhamento dessas pinturas a serem espalhadas pelo bairro viria justamente dessa mimese silenciosa.

Daí o encontro casual com o anúncio de uma imobiliária local informando seu endereço dispara a ideia de pesquisar onde e com quem são feitas as placas que servem aos propósitos comerciais destas empresas nas negociações dos terrenos baldios. Ao invés de tentar eu mesmo produzir esses objetos, conforme havia planejado em um primeiro momento, eu passaria a atuar dentro do sistema de contratos de serviços que movimentam parte do universo imobilário da região. Apropriar-me dos mecanismos de informação e fornecedores já estabelecidos pelas empresas locais na venda e administração dos lotes sem uso. A partir da visita à MR Imóveis e sua indicação, as placas que serviriam de suporte para minhas pinturas passaram a ser produzidas pelo Hermes, da HR Comunicação, empreendimento domiciliar especializado em sinalização, e posteriormente com a gráfica Visão, empresa de maior porte, voltada para serviços gráficos. As especificações para as placas seguiram os padrões de tamanho e estrutura comumente utilizadas para esse tipo de serviço. Elas foram confeccionadas em aço carbono, material que se oxida com certa facilidade, com 40cm de altura e 50cm de largura, montadas em pontaletes de madeira de 150cm, de modo que depois de enterradas nos lotes teriam a altura máxima aproximada de 120cm. Definidos os parâmetros para começar a produzir as placas-pinturas, a partir de agora era determinar em quais terrenos instalá-las. Para isso, deslocar-me diariamente pelo bairro parecia ser o melhor método.

Ao andar pelo bairro a pé ou de bicicleta em suas calçadas interrompidas pelos matagais, em meio ao onipresente cheiro acre de esgoto despejado na rua, percebe-se a atmosfera de um espaço rarefeito e inacabado. Os lotes vagos dão a sensação de trechos vazios onde se aloja a possibilidade de futuro, este muitas vezes em interminável espera nos alicerces deixados pela metade e estruturas metálicas já enferrujadas antes mesmo de serem concluídas. O Jardim Canadá, isolado de qualquer aglomerado urbano denso, tem seus limites definidos nas bordas com a vastidão das montanhas, parte ainda em seu estado natural, outra já esculpida pela ação da mineração. É curioso deslocar-se pelas vias que formam seu contorno. De um lado do circuito uma estrada estreita cuja cerca, que a acompanha em toda a sua extensão, indica a posse de um terreno desabitado, ainda em estado bruto, grande parte do Parque Estadual da Serra do Rola Moça. A outra metade desse contorno bem de nido é ladeada pela cerca viva de pinheiros, completamente dissociada da natureza local, que juntamente com o arame farpado e as placas intimidatórias indicam que aquela terra é propriedade da mineradora que a explora. Ao percorrer esta borda, parece que caminhamos no traçado de um grande desenho preenchido em seu interior por edificações e terrenos vagos que sinalizam a ocupação humana do bairro. Os vazios que o constituem nos lembram a todo instante que o Jardim Canadá segue um ritmo lento por sobre a paisagem em direção ao “por vir” ou o “por se erguer”. Assim como na Passaic descrita por Robert Smithson, um lugar sem passado racional e sem os grandes eventos da história, apenas o que passa para o futuro. Nesse caso de maneira lenta. Uma passagem de tempo diferente dos grandes centros, onde a ordem é ocupar qualquer trecho vago com rapidez e efetividade, não deixar intervalos, fazer da cidade um todo contínuo. No Jardim Canadá a grande quantidade de lotes vazios que não foram ocupados de maneira ilegal ou que não abrigam grandes depósitos e algumas casas, estão ali em oferta à espera de que participem também da história, que entrem no ciclo da temporalidade, no conjunto dinâmico dos feitos humanos. Assim vagos, mais parecem ocupar um intervalo de tempo suspenso onde só o mato progride.

Paisagem aberta: atuar nestes vazios não no sentido de preenchê- los mas de potencializar essa ausência, multiplicá-la. As placas-pinturas carregam imagens que se voltam para a paisagem local e naturalmente servem de comentário sobre esse gênero pictórico. Pintura de paisagem, feita com fragmentos da paisagem e instaladas sobre essa mesma paisagem. Produzidas com tinta à base de terra, funcionam como estudos sobre a geografia local tendo como referência a geometria das fachadas dos galpões (elementos tão comuns na região) numa espécie de catalogação de formas recursivas compostas por triângulos, quadrados e semi-círculos que criam um alfabeto analítico do espaço. Paisagem artificial e mínima traçada por linhas retas e curvas. Apesar de toda a carga material que carregam, como a grossa camada de tinta de terra e o aço que vai se enferrujando pouco a pouco, esses desenhos que passam a ocupar os lotes vagos têm algo de imaterial, como croquis de edificações não construídas ou relevos geográficos fictícios. São arquiteturas fabricadas com a poeira do próprio lugar que, ambíguas, habitam um domínio entre a abstração e a figuração, entre o esconder e o revelar, borrando a função informativa dessa mídia com signos opacos, sem referente de nido. Instaladas nos terrenos baldios, em sobreposição à paisagem circundante, apontam para o que não está ali naquele espaço vago, uma imagem que tende ao desaparecimento sob a ruína de seu suporte, como a memória efêmera de algo que nunca chegou a existir. Quanto aos lotes escolhidos para alojarem as intervenções – oito no total – seis foram negociados com uma imobiliária local e oferecidos de acordo com sua disponibilidade, o que deu às placas a distribuição geográfica pelo bairro de maneira não prevista durante o processo.

O método de fabricação da tinta parte dos pigmentos retirados da terra aberta no processo de loteamento da região. Grandes torrões de solo vermelho, colhidos de um profundo barranco em terreno escavado por alguma máquina enorme são triturados e peneirados em pó muito no para depois serem misturados com água e cola. Barro e ferro. A tinta artesanal não deixa de ser um barro com cola PVA – híbrido de natureza e cultura. O barro, antigo, parece ultrapassar o tempo. Matéria imemorial. Já o ferro, produto máximo da indústria, matéria-prima transformada, é marcado pelo signo do novo, da tecnologia, de um tempo futuro. Os dois se fundem nesses desenhos de fachadas-montanhas, arquiteturas geológicas. A oxidação irreversível – espécie de pigmento ativo – unirá os dois em uma mesma temporalidade em algum ponto do futuro. Somado a isso, os formatos geométricos das arquiteturas dos galpões, símbolo universal da alta industrialização. Todo o trabalho parece orbitar ao redor de um mesmo elemento. O minério de ferro que se transforma em aço que se torna ferrugem. Um circuito se estabelece na superfície dessas placas.

Terra vermelha, cor local, ganha a coloração rubra pelo óxido de ferro que a compõe. Tudo aqui parece feito da mesma matéria-prima. As chapas de alumínio ondulado e estruturas de ferro que sustentam os galpões, as máquinas que só cessam seus movimentos no fim da tarde, os portões de ferro e carcaças de veículos espalhadas pelas ruas se desintegram com a ferrugem. Terra à terra. As placas agora instaladas pelo bairro seguirão a mesma direção. Com o tempo seu ferro industrial se transformará em ferrugem, apagando o desenho sobre ele e se metamorfoseando com o espaço que agora ocupa.

Smithson, no relato de sua expedição pela periferia de New Jersey, assinala os vazios monumentais de Passaic como uma série de “futuros abandonados”. No Jardim Canadá, a falta não está só caracterizada pelo vazio dos terrenos baldios mas também reveladas em algumas arquiteturas falhas ou temporárias, presenças fantasmáticas que mais se parecem com monumentos à ausência. Uma fachada de tecido como uma enorme tenda ou cenário teatral sombrio, o esqueleto de galpão abandonado em seu processo de construção, um depósito de contêineres a céu aberto e mais ao meio da rua a mansão deserta com seus vergalhões que desenham um cômodo que nunca será construído. Monumentos que relativizam a ideia de passado, presente e futuro demolindo a noção moderna do tempo como uma linha fluida e irreversível a ultrapassar o passado em uma marcha progressiva em direção a algum futuro promissor. Dos restos dessa ruína ergue-se em seu lugar uma percepção de tempo anti-cronólogica, composta de temporalidades múltiplas e dissonantes a compor a paisagem particular do Jardim Canadá.

Mayana Redin (BR)

Mayana Redin (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2017 – Notícias quentes, pães frescos

O trabalho feito no JA.CA nos dois meses de residência teve como ponto de partida a experimentação de objetos feitos com massa de pão e jornais diários assados juntos em um forno caseiro. O interesse da investigação com essa matéria partiu da vontade de observar a transformação do objeto a partir da passagem do tempo, usando o envelhecimento do pão e o envelhecimento da notícia como marcos de passagem temporal.

No primeiro mês me concentrei em observar o contexto do bairro e aos poucos desenvolver alguns experimentos autodidatas com a feitura dos pães. Também me coloquei a observar os acontecimentos naquele local a partir de sua situação econômica/social. O contexto local da residência se mostrou bastante peculiar: de um lado, o investimento econômico gerado pela presença de pequenas indústrias e da exploração da mineradora trazia um cenário de contrastes, evidenciado pela presença de objetos, arquiteturas e construções típicas desses espaços onde não é possível diferenciar construção de destruição. De outro, a presença de um ar interiorano e suburbano, construído pela estrutura da comunidade, formada em parte por ocupações ilegais e em parte por casas de descanso e pela proximidade com áreas de proteção ambiental/lazer/férias, fazia do bairro um local bucólico.

Este cenário me fez perceber que a situação do comércio local era uma amostra interessante daquele contexto. A relação entre o comércio “espontâneo” bastante improvisado para servir somente aos moradores (em sua maioria, trabalhadores das fábricas, condomínios) e o comércio de luxo, especializado, que serve aos interessados de passagem, se mostrou sintomático de um desenvolvimento segregatório. Enquanto começavam os experimentos com a massa do pão e a leitura dos jornais, percebi que havia nesse contexto uma situação interessante a partir do ramo da panificação no bairro: o pão possuía um valor ideológico diferente em cada contexto em que estava inserido.

No início do segundo mês, iniciei um curso de pães em um armazém gastronômico, que tinha como finalidade ensinar receitas feitas com fermentação natural para a feitura de pães artesanais. O curso tinha como publico alvo uma classe média-alta, interessada na culinária natural e original. O pão, neste caso, foi apresentado como um alimento simples e antigo e que leva com base de sua feitura, o tempo e a paciência para a fermentação. O curso custou 500,00 e a média do preço do pão variava entre 15,00 e 20,00 a unidade. Interessada no pão francês mais popular, entrei em contato com a padeira Regina, próxima à rua da residência, para lhe pedir um dia de curso de pão francês. Passei um dia completo em sua panificadora para acompanhar o processo completo das fornadas de pão francês, que saíam 3x por dia. O pagamento foi um vaso de planta (lança de são jorge). O pão francês custava em média R$9,00 o KG.

Bastante familiarizada com a massa, continuei durante todo o processo da residência experimentando o processo de envelopar com a massa de pão, os jornais diários e também outros objetos encontrados no entorno. O processo de feitura das “esculturas”, ora me interessava mais como matéria, ora como objeto. A compra e leitura dos jornais diários locais iam formando no meu imaginário um contexto distópico e ao mesmo tempo fantástico daquele lugar. A proposta inicial, de assar os pães com jornais dentro, foi se especializando, até o ponto de conseguir sistematizar e planejar a feitura de uma semana de pães e jornais diários.

Para finalizar o projeto, decidi por contatar a mercearia Bom Preço, da esquina da rua onde fazia as compras semanais, para propor-lhes que expusesse e vendesse o trabalho em seu estabelecimento, a preço de custo, durante uma semana, em uma prateleira construída para funcionar como uma espécie de calendário. A medida que os dias corriam, os pães e as notícias iam envelhecendo e transformando o objeto.

Me pareceu interessante explorar o elemento estranho do objeto, tanto pelo viés dessa matéria informe que fermenta e aumenta de tamanho, vai fagocitando tudo que encontra, como um alienígena de algum filme de ficção científica, quanto pelo objeto final resultante. O pão e o jornal são elementos muito banais que estão contextualmente próximos um do outro. O fato de coisas tão comuns virarem, de repente, algo totalmente estranho a partir de um gesto simples de colocá-los em um mesmo espaço acabou gerando um impasse de como consumi-los, afinal, não se podia nem comer o pão e nem ler o jornal. Esse movimento de impedimento do consumo também passou a me interessar como trabalho de arte.

O experimento se encerrou no sétimo dia com as prateleiras todas completas. Não houve compra por parte da comunidade. Algumas pessoas da classe artística que compareceram no evento de encerramento da residência, se interessaram para comprar o trabalho. Assim como os pães, as notícias ficam a cada dia mais velhas, e dessa maneira, se liberam de suas finalidades para virarem objeto de arte. Comecei a me interessar pelo processo de transformação temporal mas também conceitual desses objetos. O propósito, então, era experimentar o colocar o trabalho em outro sistema de circulação, para ver o que aconteceria com a recepção do trabalho.

Luísa Nóbrega (BR)

Luísa Nóbrega (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2016

Luisa se propõe a passar esse período no Jardim Canadá procurando respostas para uma das perguntas mais óbvias (e, ao mesmo tempo, obscuras) que pode se fazer: o que acontece quando a gente morre? Dizem que a morte é a única certeza que temos, mas isso com certeza é uma mentira – e das grandes. A gente sabe que a morte existe, mas no fundo não acredita que vai morrer. É como se existisse uma incongruência enorme, um abismo, entre o que a gente sabe racionalmente e o que a gente sente, pode aceitar.

Cozinha Kombinada (BR)

Cozinha Kombinada (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2016

A dupla Joseane e Silvia (Cozinha Kombinada) propõe a investigação de redes de produção e distribuição locais de alimentos. Através de suas experimentações, as artistas desenvolvem outras técnicas de processamento visando o aproveitamento integral dos alimentos e o compartilhamento dos modos de fazer, receitas, histórias e saberes.Propõem a composição da coleção Carpoteca e Espermoteca Jardim Canadá a partir da coleta de exemplares de espécies que crescem na região, comestíveis ou não. Para tal, realizarão curtas expedições ao longo de dois meses de pesquisa nas cercanias do Jardim Canadá coletando raízes, caules, sementes, folhas, flores e frutos.

Shima (BR)

Shima (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2016

Com a intenção de vivenciar, problematizar e, quem sabe, reinventar a experiência da cesta básica, o artista Shima chegou ao JA.CA disposto a alimentar-se, durante dois meses, tendo como base os alimentos incluídos na lista, valendo ainda alguma complementação que não ultrapassasse o valor do salário mínimo. Diante de quantidades limitadas de carne de segunda, arroz, feijão, leite, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga, o artista se propôs a superar a noção de uma “alimentação técnica” a partir de uma série de práticas voltadas a potencializar o conteúdo da cesta.

a.m.p. (associação massa falida) (BR)

a.m.p. (associação massa falida) (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2016

“Fiquemos no momento com isto: se as fontes, as galerias das minas e as cavernas são assimiladas à vagina da Mãe Terra, tudo que jaz em seu «ventre» está ainda vivo, se bem que em estado de gestação. Ou, dito de outro modo: os minerais extraídos das minas são, de certo modo, embriões: crescem lentamente, com um ritmo temporário distinto ao dos animais e vegetais, mas crescem, «maturam» nas trevas telúricas. Sua extração do seio da terra é, portanto, uma operação praticada antes de término.(…) Tinham que justificar a todo custo sua intervenção e, para fazê-lo, pretenderiam substituir com os procedimentos metalúrgicos a obra da Natureza. Ao acelerar o processo de crescimento dos metais, o metalúrgico precipitava o ritmo temporário: o tempo geológico era mudado por ele por tempo vital. Esta audaz concepção, segundo a qual o homem assegura sua plena responsabilidade ante a Natureza, deixa entrever já um pressentimento da obra alquímica. “

Mircea Eliade –Herreros y Alquimistas

Durante o Programa de Residências Internacionais – 2016, os artistas Pablo Vieira e Silvio de Camillis Borges desenvolveram uma pesquisa acerca do processo de extração de Ferro da Hematita, minério encontrado em abundância no solo da região do Jardim Canadá. A dupla também estudou os processos ritualísticos presentes em sociedades arcaicas que detinham o domínio sobre determinadas técnicas de extração de ferro a partir deste e de outros minérios de ferro.

Manuel Carvalho (BR)

Manuel Carvalho (BR)

 Dispositivo Móvel para Ações Compartilhadas 2015 – Tratar direto com o proprietário c/ Desali

O projeto desenvolvido durante a residência possibilitou o encontro direto com o que Desali vem trabalhado nos últimos anos: produção marcada pela liberdade e pela improvisação, em que a trajetória dos artistas envolvidos se adapta a diversas condições, contextos e espaços. Atuando em consonância com a situação ao invés de moldá-la a uma ideia ou conceito prévio.

Assim, o trabalho realizado em parceria com o artista Desali envolveu a criação de uma galeria de arte em um boteco nas intermediações do bairro Jardim Canadá, município de Nova Lima, a partir do convívio com um grupo de frequentadores do local.

A dupla produziu uma série de 15 pinturas de formatos variados para esse bar-galeria, inspirada nas pessoas que conheceu no local: desde uma criança que auxilia a mãe no estabelecimento até fregueses que frequentam o espaço para beber após um dia de trabalho. Durante esse período, o bar, que se chama Vandinha, foi se transformando em um cubo branco às avessas, servindo como espaço de exposição e de troca de experiências.

A dupla de artistas conheceu, ainda, um jovem com grandes potencialidades, conhecido pelo apelido Vertin. Autodidata da música periférica, o MC JC (nome artístico) já cantava em eventos e baladas noturnas. Desse contato surgiu a ideia de criar um videoclipe para uma de suas músicas, o que demandou a gravação da melodia em um estúdio no bairro Santa Teresa, bem como a realização de serviço de mixagem e produção de vídeo. Além disso, foi elaborado e impresso flyer de divulgação do lançamento, que aconteceu no mesmo dia da abertura da exposição – para distribuição por Vertin em sua comunidade e publicação do evento nas redes sociais.

Foi realizada a vernissage da exposição Tratar direto com o proprietário, no bar da Vandinha. O título já adianta o sistema de vendas adotado: os galeristas e colecionadores presentes negociaram os valores e as formas de pagamento diretamente com as pessoas retratadas nas pinturas, as quais receberam a quantia para si.

Enquanto os jovens decidiam o destino de cada obra, se iriam vender ou não, Vertin (ou MC JC) cantou músicas de sua autoria e lançou seu primeiro videoclipe com a presença da comunidade e de convidados da Grande BH.

Ana Luisa Lima (BR)

Ana Luisa Lima (BR)

– Dispositivo Móvel para Ações Compartilhadas 2015 – Zona habitável

Zona habitável (13’,Nova Lima – MG, Brasil, 2015) se desenvolve numa narrativa de ficção científica. Trata-se de uma janela atemporal em que se pudesse contemplar o início do fim da vida humana na Terra como se conhece hoje ou, por outro lado, a possibilidade de um novo começo. Narrado em primeira pessoa, traz personificação da ideia de um “habitante de uma comunidade global” cujo enredo se desenrola a partir de sua memória e solidão.

O curta-metragem traz à tona as contradições de nossa existência contemporânea: se de um lado, diariamente, viabilizamos modos de vida que consomem e ameaçam nossos recursos naturais a ponto de ser possível antever nossa própria destruição, do outro, temos os altos investimentos em uma corrida espacial que faz vislumbrar uma vida possível fora da Terra.

Micrópolis (BR)

Micrópolis (BR)

– Dispositivo Móvel para Ações Compartilhadas 2015 – Escola Portátil

Escola Portátil foi uma série de processos experimentais de pedagogia espacial e urbana realizados pelo coletivo Micrópolis em conjunto com alunos da Escola Estadual Maria Josefina Salles Wardi, no bairro Jardim Canadá, como pesquisa-projeto de residência no JA.CA. Durante dois meses, foram testados procedimentos não-acadêmicos e colaborativos de conhecimento sobre o meio urbano, seja no entorno imediato da escola, na cidade de Nova Lima, ou na vizinha Belo Horizonte. Ao longo do projeto, uma Kombi amarela cedida foi utilizada como dispositivo móvel e base articuladora das ações.

Sob o formato de pesquisa-projeto, o trabalho não se conclui como um produto único, mas serve como plataforma para testar uma série de ferramentas no campo da pedagogia espacial e urbana. Foram experimentados diferentes métodos de estudo, das caminhadas na cidade à fotografia e à cartografia, e o intercâmbio constante com os alunos permitiu formular um programa de investigação mais adequado aos seus interesses e que possa servir como ponto de partida para outras propostas pedagógicas.

Hugo Richard (BR)

Hugo Richard (BR)

 Dispositivo Móvel para Ações Compartilhadas 2015 – Ambientes infláveis

Ambientes Infláveis são experiências de ocupação e interferência no cotidiano das pessoas que habitam as cidades, através de grandes objetos que intervém em sua paisagem, lugares e caminhos, na forma como o indivíduo dialoga com o que vê, habita e se relaciona com as pessoas que estão a sua volta.

O projeto é uma experiência que propõe por um lado intervir no cotidiano das cidades e trazer uma nova forma de se relacionar com o ambiente e com as pessoas, e por outro a experimentação de um objeto suspenso por ar e intangível, contradizendo o próprio conceito de espaço.

Como se relacionam as pessoas com uma ocupação de forma e cor em um parque como o Ibirapuera na cidade como São Paulo? Como se relacionam com o entorno? Certamente não da mesma forma que os transeuntes, trabalhadores que esperam seus ônibus nos pontos ao redor da Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, nem mesmo como os moradores de Buenos Aires, acostumados à superfície plana de sua cidade sem o relevo e o horizonte tão característicos da vida cotidiana dos cariocas.

Intervir no olhar na forma a relação com o espaço a experiência do habitante. Como o ar atravessa nossos corpos, nós atravessamos os espaços. A percepção dos espaços, sejam eles públicos ou privados, em geral se dá através do visível e do tangível, dos objetos e das pessoas. Além do ato inconsciente de respirar como um mecanismo de vida, a percepção do ar passa despercebida.

Steffania Paola (BR)

Steffania Paola (BR)

– Programa de Residências JA.CA + FCS Praça 7 – Ciclo 2 – CONTRAFORÇA

Maura Grilmaldi (BR)

Maura Grilmaldi (BR)

– Programa de Residências JA.CA + FCS Praça 7 – Ciclo 3Experimentos com a imagem projetada + Uma documentação em 36 fotogramas

Experimentos com a imagem projetada é um projeto que aborda os mecanismos de projeção ao mesmo tempo em que discute os processos de deterioração, desaparecimento e exposição das imagens fotográficas. Ele é composto de três peças distintas: a primeira trata-se de projetar a imagem de uma montanha até que ela aos poucos se deteriore, a segunda é transformar o aparato da câmera fotográfica em um dispositivo de projeção, e a terceira, por fim, é a desconstrução do aparato de um projetor.

A publicação Uma documentação em 36 fotogramas é uma das obras que compõe um ensaio sobre a imagem dentro do universo da fotografia. O projeto partia da seguinte pergunta: seria possível pensar um trabalho fotográfico a partir de fotografias nunca feitas? Para refletir sobre a questão, a artista debruçou-se em ações fotográficas que discorriam sobre a ausência da imagem, almejando criar uma espécie de inventário sobre o que não poderia ser fotografado. Desse processo surgiu a obra. Nesse livro de artista é possível verificar uma série de sentenças textuais que sugerem memórias, conceitos e sensações, mas que não possuem relações diretas com o universo das figuras. Juntamente ao texto, um filme fotográfico virgem, passou por todo o processamento químico de revelação e ampliação e depois digitalização dos fotogramas para compor as referências de cada sentença. Sendo assim, cada frase sugere o conteúdo de um dos 36 quadros, que se apresentam vazios aos olhos do leitor.

Guilherme Cunha (BR)

Guilherme Cunha (BR)

– Programa de Residências JA.CA + FCS Praça 7 – Ciclo 1


– Ocupante no Programa de Residências Internacionais – 2012 – Imaginary Kid Napping

Instalação projetada em para a Noite Branca no Parque, evento realizado pela Fundação Clóvis Salgado.

Krzysztof Gutfranski (PL)

Krzysztof Gutfranski (PL)

– Dispositivo Móvel para Ações Compartilhadas 2015 –


– Programa de Residências JA.CA + FCS Praça 7 – Ciclo 1

Daniel Toledo e Marina Câmara (BR)

Daniel Toledo e Marina Câmara (BR)

– Programa de Residências Nacionais – 2013 – Muito além do expediente

A convite da dupla, cinco fotógrafos de Belo Horizonte – André Hallak, Warley Desali, Paula Huven, Luiza Palhares e Luiz Carlos Damião – realizaram um registro fotográfico de diferentes trabalhadores do Jardim Canadá. Nessa proposição, os pesquisadores e artistas selecionaram fotos para compor diferentes séries. Marina e Daniel explicam que “Nosso desejo foi encontrar essas ‘pessoas que exercem funções’. Há algo que se apaga para que a função se sobreponha, uniformes tendem a ofuscar as singularidades. Quisemos tratar disso a partir de suas imagens”.

Raquel Schembri (BR)

Raquel Schembri (BR)

– Programa de Residências Nacionais – 2013

Partindo de registros fotográficos – realizados durante diversas caminhadas não roteirizadas pelo bairro – a artista produziu séries de desenhos e pinturas em papéis e telas. Teve como referência o trajeto Belo Horizonte-Jardim Canadá; a vegetação e a arquitetura local; fragmentos de formas de concreto (como passarelas e cercas) e suas sombras.

Sobre a experiência da residência no Jardim Canadá e o impacto disso no seu trabalho, Raquel diz que “Quando a gente chega é tudo estranho. Eu achava a arquitetura feia, mas agora vejo coisas interessantíssimas. Permanece o estranho, mas agora há intimidade nessa estranheza. Aqui o tempo é outro”.

Roberto Freitas (BR)

Roberto Freitas (BR)

– Programa de Residências Nacionais – 2013 – Fantasmatográfico

Construção de dispositivos que serão distribuídos em diferentes locais do bairro (sempre em ambientes com pouca ou nenhuma luz) e posicionados de forma que, em alguma medida, se camuflem na paisagem. Acionados por movimento – se e somente se a pessoa estiver sozinha – eles produzem um efeito de luz e/ou som.

Roberto comenta que “Desenvolvi uma estratégia digital que reinserisse uma certa fantasmagoria local, uma ideia que fosse contra o progresso. Crendices, lendas, mau agouro, algo que fosse de encontro à lógica do consumo, do capitalismo. Para criar essa fantasmagoria local, me apropriei da lógica hacker, de inserir um assunto que depois viraliza. É um desejo de que este dispositivo se insira nestes discursos do cotidiano”.

Estandelau (BR)

Estandelau (BR)

– Programa de Residências Nacionais – 2013 – Atributos dos Figurantes

Atributos dos Figurantes – criação de brasões e emblemas na parte externa de quatro casas populares no bairro Jardim Canadá. Os suportes foram colados, pintados ou pregados na parte externa das casas. Os moradores foram convidados a participar da construção das simbologias empregadas nos brasões, lemas e epigramas; todo material conceitual foi coletado a partir de conversas e entrevistas. Estandelau explica que “A abordagem desse trabalho se propôs ser um inventário de possibilidades de se pensar diferentes realidades apresentadas não como um término provisório de uma rede de elementos interconectados, mas como uma narrativa que prolonga e reinterpreta as narrativas anteriores”.

Beto Shwafaty (BR)

Beto Shwafaty (BR)

– Programa de Residências Nacionais – 2013

Por meio de pesquisas em diferentes arquivos e locais/cidades (Pampulha, Ouro Preto, Museu Abílio Barreto, Arquivo Público Mineiro, Casa JK, entre outros), o artista investigou uma possível continuidade – fictícia ou real – entre o barroco e o modernismo. O “resultado” é formalizado em texto e fotos.

Sobre seu trabalho, Beto comenta que “O [arquiteto suíço] Max Bill já havia feito uma crítica ao modernismo brasileiro como sendo uma arquitetura elitista e de poder, contrária à proposta original; numa certa crítica ideológica ao modernismo brasileiro. Uma hipótese artística que persegui foi a da continuidade e oposição entre o modernismo e o barroco”.

Brígida Campbell (BR)

Brígida Campbell (BR)

– Ocupante no Programa de Residências Internacionais – 2012 – Imaginary Kid_Napping

Instalação projetada em para a Noite Branca no Parque, evento realizado pela Fundação Clóvis Salgado.

Jonathan Forsythe (CA)

Jonathan Forsythe (CA)

– Programa de Residências Internacional – 2012 – O Canadá

A partir de fotografias feitas no Jardim Canadá, o artista canadense Jonathan Forsythe produziu a publicação “O Canadá”.


– Programa de Residências Internacional – 2012 – Photography Jonathan Forsythe

Publicação com fotografias e entrevistas realizadas durante o Programa de Residências no JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia.

Luiz Roque (BR)

Luiz Roque (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2012 – O Novo Monumento

Filmando em Minas Gerais, em uma das muitas paisagens do estado marcada pelos efeitos devastadores da mineração, e situado em um tempo que não se sabe se passado ou futuro, O Novo Monumento fantasia e celebra a criação de um monumento inspirado nas esculturas de Amilcar de Castro. A narrativa do vídeo se passa em uma pequena cidade, num período intermediário entre “passado e futuro”, no qual as questões de gênero não mais existem ou foram redefinidas, e um homem pode ser rei tendo outro rei a seu lado.

Nas imagens poéticas em preto e branco, podemos ver a criação e a celebração dessa civilização sonhada enquanto ela se prepara para criar um novo monumento: fantasias são concebidas a partir de uma mistura de elementos futurísticos e símbolos africanos, e rituais dançantes são praticados. O monumento acabado é então revelado sobre um caminhão e levado a uma montanha indescritível, localizada em meio a uma paisagem ampla e vazia, cercada de super-heróis em motocicletas.

Thislandyourland (Ines Linke e Louise Ganz) (BR)

Thislandyourland (Ines Linke e Louise Ganz) (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Cozinhas temporárias: pelos quintais do Jardim Canadá

Cozinhas temporárias: pelos quintais do Jardim Canadá consistiu em mapear os cultivos de alimentos, inventar receitas e cozinhar em locais diversos no bairro Jardim Canadá, utilizando apenas o que foi encontrado em quintais de residências ou empresas locais. Thislandyourland percorreu várias ruas no bairro visitando casas e empresas e fazendo o levantamento dos quintais produtivos, com hortaliças, frutas, verduras e legumes, além de criações de animais, ovos, etc.

Nessas visitas também encontraram locais para cozinhar, que foram emprestados pelos moradores, como quintais, traillers de sanduíche, cozinha de empresas, barracas em calçadas. Estes almoços foram oferecidos aos habitantes e transeuntes do local. O trabalho propôs discutir o grau de autonomia ou dependência dos moradores do bairro Jardim Canadá aos sistemas econômicos de mercado, partindo da hipótese da escassez de uma produção de alimentos nos quintais. Entretanto, ao contrário do esperado, foram encontrados diversos pequenos produtores, o que possibilitou a confecção de receitas inventadas a partir dos alimentos encontrados e a produção de um mapa de produtos.

Vijai Patchineelam (BR)

Vijai Patchineelam (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Cinema aterrado

Sobre uma montanha de sujeira, detritos e terra vermelha, entre a rua Govan e a avenida Alaska no bairro Jardim Canadá, aconteceu um Cinema a céu aberto na noite de 22 de julho de 2012. Uma escavadeira abriu um espaço dentro da montanha para uma tela, que posteriormente foi preenchido pelo pó branco de dois extintores de incêndio. Troncos de árvores encontrados no local foram reposicionados e adaptados para formar a plateia.

A mesma máquina que nos ajudou no corte e reposicionamento dos troncos trabalhava para evacuar e planificar o local, que esperava a construção de uma escola pública. A eletricidade para a projeção e o som foi puxada de uma vizinha do outro lado da rua. Nessa noite houve projeções dos vídeos dos artistas Adam Veikkanen, Edgar Mazo, Ícaro Lira, Ines Linke, Louise Ganz e Vijai Patchineelam. A intervenção foi realizada em parceria com o arquiteto Edgar Mazo e o artista Alejandro Tobón.


– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Dia não

Publicação com série de fotografias feitas em Belo Horizonte.

Alejandro Tobón (CO)

Alejandro Tobón (CO)

– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Cinema aterrado

Sobre uma montanha de sujeira, detritos e terra vermelha, entre a rua Govan e a avenida Alaska no bairro Jardim Canadá, aconteceu um Cinema a céu aberto na noite de 22 de julho de 2012. Uma escavadeira abriu um espaço dentro da montanha para uma tela, que posteriormente foi preenchido pelo pó branco de dois extintores de incêndio. Troncos de árvores encontrados no local foram reposicionados e adaptados para formar a plateia.

A mesma máquina que nos ajudou no corte e reposicionamento dos troncos trabalhava para evacuar e planificar o local, que esperava a construção de uma escola pública. A eletricidade para a projeção e o som foi puxada de uma vizinha do outro lado da rua. Nessa noite houve projeções dos vídeos dos artistas Adam Veikkanen, Edgar Mazo, Ícaro Lira, Ines Linke, Louise Ganz e Vijai Patchineelam. A intervenção foi realizada em parceria com o arquiteto Edgar Mazo e o artista Vijai Patchineelam.


– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Publicação

A partir de maquetes de intervenções e fotos feitas no Jardim Canadá, a publicação reúne anotações e desenhos de projetos e intervenções.

Edgar Mazo (CO)

Edgar Mazo (CO)

– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Cinema aterrado

Sobre uma montanha de sujeira, detritos e terra vermelha, entre a rua Govan e a avenida Alaska no bairro Jardim Canadá, aconteceu um Cinema a céu aberto na noite de 22 de julho de 2012. Uma escavadeira abriu um espaço dentro da montanha para uma tela, que posteriormente foi preenchido pelo pó branco de dois extintores de incêndio. Troncos de árvores encontrados no local foram reposicionados e adaptados para formar a plateia.

A mesma máquina que nos ajudou no corte e reposicionamento dos troncos trabalhava para evacuar e planificar o local, que esperava a construção de uma escola pública. A eletricidade para a projeção e o som foi puxada de uma vizinha do outro lado da rua. Nessa noite houve projeções dos vídeos dos artistas Adam Veikkanen, Edgar Mazo, Ícaro Lira, Ines Linke, Louise Ganz e Vijai Patchineelam. A intervenção foi realizada em parceria com os artistas Alejandro Tobón e Vijai Patchineelam.


– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Publicação

A partir de maquetes de intervenções e fotos feitas no Jardim Canadá, a publicação reúne anotações e desenhos de projetos e intervenções.

Adam Veikkanen (AU)

Adam Veikkanen (AU)

– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Fazer uma banana

Pelas camadas e formas, as frutas estabelecem estranhas relações com a escultura. Fazer uma banana apresenta a casca e a forma em dois diálogos distintos. Primeiramente se apresenta como um poster bidimensional da casca da banana, a casca aqui, ainda uma alusão distante de um interior escondido, um depósito para a fruta. Em segundo instante, a possibilidade tridimensional, aqui pela qualidade fotográfica da banana, a fruta se torna digestível para a percepção. Fazer uma banana é um projeto que brinca com a produção do natural, engajando o público com a réplica fotográfica e com a relação preestabelecida com a fruta.

Leandro Nerefuh (BR)

Leandro Nerefuh (BR)

– Emissário no Programa de Residências Internacionais – 2012 – Paraway

Leandro Nerefuh viaja ao Paraguai para a residência itinerante En Recorrido, que pretendeu desenvolver um projeto interdisciplinar com a temática da Guerra do Paraguai/Triple Alianza. Foram propostas quatro etapas, as primeiras três de investigação e desenvolvimento dos projetos nos antigos campos de batalha, e a última de finalização e mostra dos resultados em uma exposição, completando assim, um mês de residência.

Jude Anogwih (NG)

Jude Anogwih (NG)

– Programa de Residências Internacionais – 2012 – Boudarylessness

Como podemos entender as formas pelas quais a relação entre duas entidades oscila entre a obsolescência e visibilidade? A consciência da distância entre minha casa, em Lagos, na Nigéria, e as cadeias montanhosas de Minas Gerais, do outro lado do Atlântico, provocou-me para diferentes perspectivas virtuais. Assim como Jai Sen, a imagem que tenho é uma manifestação subjetiva de minha percepção. Mas havia uma interpretação alternativa dessa imagem, um ato de poder que insiste em ser uma maneira melhor: ir para a Europa, Ásia e Oriente Médio, para que, por fim, pudesse chegar ao país vizinho como se estivesse do outro lado da rua, o Brasil.

Boundarylessness [Ausência de fronteiras], de 2012, é um trabalho processual, de desenho e instalação constelados sobre mapas com direções, conectividades e distâncias. É uma obra que recria a lógica da migração, da mobilidade e da circulação de pessoas e ideias, apropriando-se de formas multidimensionais para criar cartografias abstratas que ligam esteticamente as macro e as microentidades espaciais de nossos territórios, e propondo vetores para uma nova geografia.

Sara Lambranho (BR)

Sara Lambranho (BR)

– Ocupante durante o Programa de Residências Internacionais – 2011 – Réquiem

Uma série de desenhos feitos a partir de cercas e grades urbanas que posteriormente foram musicados. Uma das apresentações, gravada por câmera de segurança, foi exibida em uma tv na entrada do espaço expositivo.

Fabiana Faleiros (BR)

Fabiana Faleiros (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2011 – Bem-vindo ao deserto vermelho: a Festa Própria

Bem-vindo ao deserto vermelho: a Festa Própria ocupou o espaço de residência artística do JA.CA, no bairro industrial Jardim Canadá (Nova Lima, MG), com uma festa própria do bairro. O projeto foi desenvolvido em parceria com moradores da região: o DJ Reynaldo, a banda Anônimos, vendedores de cerveja e cachorro-quente. A proposta questiona o espaço específico de arte e seu entorno físico, social e político no qual as celebrações são restritas à espaços privados tipo buffet, direcionadas para quem não vive no bairro. A exposição incluiu performance de improviso vocal acompanhados pelo DJ, uma escultura em forma de palco, um vídeo de leitura de placas e uma escultura sonora que simula explosões geradas por uma mineradora que atua no local. Artistas convidados: Olga Robayo e Vitor Faleiros.

Laurent Pernot (FR)

Laurent Pernot (FR)

– Programa de Residências Internacionais – 2011 – Ruée vers la perdition

Laurent Pernot armou-se apenas de uma câmera e uma tocha para percorrer as estradas do ouro de Minas Gerais, um estado brasileiro famoso por seus depósitos minerais (ouro e ferro) e pedras preciosas (topázios e esmeraldas). Essa vasta região é também referência para arqueólogos da pré-história, já que foi ali que os ossos de Luzia foram descobertos em meados dos anos 1970: trata-se de uma das mais antigas ossadas humanas da América do Sul. Aqui, a terra mescla o tempo geológico com a história da humanidade, criando as bases para o trabalho fascinante e complexo de Laurent Pernot.

Paulo Nazareth (BR)

Paulo Nazareth (BR)

Emissário no Programa de Residências Internacionais – 2011 – Projeto : banana traveling _____ [banana+banana]

“Projeto : banana traveling _____ [banana+banana] partir desde os altiplanos guatemaltecos em direção a península da florida/usa dirigindo uma Kombi [Volkswagen amarela 1964] carregada de bananas verdes que se tornam amarelas no decorrer do trajeto…….. junto com um indígena kachequel percorrer e pintar a paisagem do caminho feito pelos imigrantes centro americanos até chegar aos Estados Unidos da América … objeto 1 —- kombi amarela carregada de bananas verdes se tornando amarelas [modelo 1964] objeto 2 —- Kombi verde carregada de bananas verdes se tornando amarelas [modelo 1977] = 1000 KL eh depositado no mercado de arte contemporânea ……………………….. ……………………..”


Programa de Residências Internacionais – 2010 – Jardim Roubado

Paulo Nazareth iniciou a residência com um projeto intitulado Jardim Roubado, que trata de questões que circundam não somente o mundo da arte, mas qualquer atividade que se realiza sobre o mundo que concebemos. Este projeto se ramificou em outros projetos que podem, por sua vez, vir a ser ramificados sucessivamente. Cada fragmento deve ter a propriedade de ser visto isolado ou como parte de um todo fragmentado. Paulo desenvolveu uma série de ações que resultaram em um número indeterminado de situações, envolvendo o artista, o local e os habitantes do bairro.

Entre elas, Cabrito não é Pavão, em que o artista introduziu um casal de cabras ao contexto da arte contemporânea, um díptico vivo instalado no espaço da galeria; já a ação Doação de obra de arte para a casa da Ivete, para só a Ivete e seus amigos verem retira a obra de arte do espaço expositivo e dos olhares do público para a casa da Ivete, moradora do Jardim Canadá, e condiciona à obra o valor privado, de um objeto de colecionador. Seguindo com as suas “Edições”, ele apresenta uma nova série de gravuras e impressões intituladas Coleção Produtos de Genocídio. Em seu trabalho, o artista faz ocupações de diferentes espaços propondo inúmeros deslocamentos e subversões do próprio conceito de objeto de arte, do valor agregado a este, e dos limites e distinções deste em relação à vida cotidiana.

Zachary Fabri (US)

Zachary Fabri (US)

Programa de Residências Internacionais – 2010 – Mim andar Avenida Canadá, Mim escrever Avenida Canadá, Mim limpar Avenida Canadá

Eu me propus a criar um trabalho site-specific que fosse relevante para o bairro Jardim Canadá, usando a pintura, escultura, desenho e vídeo. A área do bairro escolhida foi os arredores mais próximos ao JA .CA. Foi, para mim, complexo produzir um trabalho com criticas sociais de um lugar do qual sou estrangeiro e onde fiquei por pouco tempo. Os problemas eram muito complexos e antigos para que eu pudesse me sentir cômodo em dissecá-los.

Decidi então, por algo com o qual eu já tinha alguma relação pessoal. Durante anos eu havia estudado e usado a bauxita como matéria-prima para meus trabalhos artísticos. A bauxita é o principal mineral extraído na Jamaica e Hungria, países de origem dos meus pais. A bauxita é encontrada em terras vermelhas e brilhantes e depois de processadas dão origem ao alumínio. Assim, me pareceu uma grande e fortuita coincidência que o Jardim Canadá fora produtor de ferro, o qual também se encontra em terras vermelhas.

Essa terra vermelha é fator unificador, comum a vida de qualquer pessoa do bairro Jardim Canadá, independente do seu status econômico. Desde minha chegada ao J A .CA eu me embarquei em passeios pela vizinhança para me familiarizar com a área. Esses passeios passaram a ser uma forma de recolher dados para o projeto. Os passeios finalmente foram convertidos na própria ação e trabalho artístico.

Mais que documentar estas ações com fotografia eu decidi documentá-las através de outros materiais e metodologias. Para Mim andar Avenida Canadá, contratei uma costureira local para fazer uma camisa e calças brancas, com os quais documentei os passeios através da gradual impregnação da terra roxa em minha roupa. Mim escrever Avenida Canadá eu documentava minhas reflexões diárias com a terra vermelha sobre um caderno costurado à mão. Mim limpar Avenida Canadá destaca a indústria das trabalhadoras domésticas, cobri meu corpo de terra vermelha para depois esfregar-me contra o papel, para me limpar. A ação fica documentada pelos desenhos impressos resultantes.

Grupo Passo (Aruan Mattos e Flávia Regaldo) (BR)

Grupo Passo (Aruan Mattos e Flávia Regaldo) (BR)

Programa de Residências Internacionais – 2010 – Teto: Ações para o nada

O projeto desenvolvido pela dupla durante a residência teve como objetivo principal constituir uma percepção crítica do espaço, levantando debates sobre o desenvolvimento urbano, social e cultural.

Com o projeto Teto eles criaram uma escultura movida pelos exaustores dos galpões, que projeta imagens fotográficas nos telhados e paredes vizinhas. Uma experiência que, em sua concepção, buscava estabelecer interações com pessoas do local descobriu-se inserida em noites desertas; tetos pro aberto e lotes (des)ocupados.

As intervenções resultaram em projeções efêmeras em espaços cheios de espera. A obra tornou-se Teto – ações para o nada, que reflete sobre a solidão e a quase-comunicação vivida durante o processo de residência artística realizado pela dupla no bairro Jardim Canadá. A documentação das ações desdobrou-se em fotografias, vídeos e uma publicação.

Isabela Prado (BR)

Isabela Prado (BR)

Programa de Residências Internacionais – 2010 – Entre rios e ruas, Mamona e Sublime

A participação em uma residência de longa duração em Belo Horizonte permitiu aprofundar sobre algumas questões presentes no cotidiano da cidade e na forma como ela condiciona a paisagem. Três foram os projetos desenvolvidos durante a residência.

O primeiro deles, Entre rios e ruas, busca discutir as relações entre o território “natural” e o espaço urbano construído, particularmente a partir da relação entre a bacia hidrográfica e a rede viária em Belo Horizonte, com desenhos, áudios, fotografias, instalações, vídeos e intervenções urbanas.

Mamona resgata um elemento lúdico – parte do universo infantil de várias gerações, e cada vez menos presente em nosso cotidiano –, ativando uma reflexão sobre a ocupação do espaço urbano e a questão do uso e conservação dos recursos naturais.

O projeto Sublime apresenta trabalhos em vídeo, com enquadramento fixo, em que o movimento quase imperceptível da cena causa no espectador a impressão de se tratar de uma imagem estática, estabelecendo assim um diálogo entre fotografia e vídeo. Uma característica comum dos trabalhos desta série é a de retratar recursos naturais “pulverizados” na paisagem (água, minério de ferro, etc).

Sarawut Chutiwongpeti (TH)

Sarawut Chutiwongpeti (TH)

Programa de Residências Internacionais – 2010 – Sem Título

O projeto artístico desenvolvido durante a residência pelo artista Sarawut Chutiwongpeti centra-se nos mecanismos da percepção e do sonho, no mundo particular da fantasia e do inconsciente, atuando nas condições obscuras do sistema pelo qual mente e espírito operam. A (in)visibilidade da estrutura de seu trabalho desencadeia uma confusão na percepção do trabalho mesmo e na do espaço expositivo, provocando, assim, uma relação ambígua entre o objeto, sua função e aparência. Destrava-se um campo de força misteriosa no limiar entre verdade e mentira, capaz de criar possibilidades inesperadas de abordagens, forçando o expectador a assumir um novo posicionamento perante o mundo à sua volta.

Geraldine Juarez (MX) e Magnus Eriksson (SE)

Geraldine Juarez (MX) e Magnus Eriksson (SE)

Programa de Residências Internacionais – 2010 – Object Oriented Therapy Center É Um Lugar Para Equipamentos Desajustados

OOTC, Centro de Terapia Orientada a Objetos, reúne objetos rejeitados, desfuncionais – muitas vezes chamados de lixo – e dá início a um processo experimental para que o desejo desses objetos faça-os se revelarem, ao invés de lhes impor nossa percepção de funcionalidade. Nos primórdios da prática psicanalítica acreditava-se que a causa da neurose residia na repressão dos desejos de um indivíduo, uma vez que eles não poderiam ser realizados na sociedade presente. Desejos não deveriam ser conformados, mas sim liberados e expressos em conflito com as normas da sociedade. Na cultura do reparo, segue-se esperando que objetos cumpram uma determinada função para a sociedade. A nossa Clínica deseja, ao invés de destruir ou reciclar o rejeitado, produzir algo partindo do objeto em si, alinhando os desejos e ambições de cada objeto para que eles se revelem ao mundo. Assim, o OOTC busca uma forma de co-existir com nossos objetos e deixá-los co-determinarem nossa realidade.

Marco Ugolini (IT)

Marco Ugolini (IT)

Programa de Residências Internacionais – 2010 – Fauna

Durante sua estadia no J A .CA o artista Marco Ugolini desenvolveu dois projetos. No primeiro, Fauna, o artista brinca com o conceito de Natureza como um estado de constante mutação, e não como uma entidade estática e desconectada das ações do homem. No bairro Jardim Canadá, a expansão de áreas residenciais e industriais juntamente com a mineração desenfreada foram determinantes para uma mudança drástica no ecossistema. É precisamente na extração do ferro que reside o fascínio do artista. A extração massiva trouxe, junto a novas oportunidades, a destruição de uma vasta área de rica vegetação. O veado campeiro, o lobo guará, o gato do mato e várias espécies de pássaros são alguns dos animais que habitam esta região e que estão seriamente ameaçados de extinção. Ugolini reproduziu esses animais em aço, respeitando seus pesos e tamanhos, e em seguida substituiu, na paisagem, uma matéria por outra.


Programa de Residências Internacionais – 2010 – Per Color

Já na série de fotografias Per Color, feitas dentro de um supermercado do Jardim Canadá, Marco Ugolini discorre sobre o espaço do supermercado como um espaço de manipulação, ele subverte esta estrutura de ordem e poder agrupando as mercadorias não por categorias de produtos, marcas, ou preços, e sim por cores.

Grafatório

Grafatório

– Indie.Gestão 2014 – Diagnóstico de Indie.Gestão

HORTA
Londrina apresenta uma surpreendente cena cultural, a qual certamente incentivou a criação do Grafatório. Por ano, são formados 500 profissionais em áreas relacionadas às artes visuais e gráficas. A Universidade Estadual de Londrina (UEL), principal instituição pública de ensino da região, mantém uma galeria de arte que promove a circulação de produções de outras localidades, assim como variados projetos de extensão. O poder público local, por sua vez, mantém há mais de uma década um programa de financiamento de espaços independentes.

COZINHA
Quem pensa que atenção aos detalhes e organização são cuidados femininos engana-se ao entrar no Grafatório. O espaço é gerido exclusivamente por homens, quase todos jovens, que se preocupam em cuidar e melhorar as instalações físicas da casa que alugam. Pequenas reformas estão sempre nos planos do grupo, que encontra dificuldades em colocá-los em prática pela pouca experiência em planejamento e produção. Foi no dia-a-dia que eles perceberam que, para evitar desencontros de informações e responsabilidades, era essencial criar um mo- mento de encontro regular entre os integrantes: “As reuniões de quarta de manhã mudaram tudo!”.

DESPENSA
O principal mantenedor do Grafatório é um fundo municipal de financiamento de iniciativas sem fins lucrativos, o qual cus- teia 75% das despesas do espaço. A diversificação de entradas de recursos é uma preocupação constante. A primeira alternativa que testaram foi a oferta de oficinas pagas, mas, na busca por atrair um público cada vez maior, os cursos tornaram-se muito técnicos e pouco abertos à experimentação. Isto gerou uma insatisfação geral nos integrantes, levando-os a perceber que o espaço estava fugindo de seu propósito inicial. Hoje, estudam
a possibilidade de gerar renda a partir de seus laboratórios de produção gráfica, dentro dos quais é possível oferecer serviços diferenciados de comunicação visual.



Espaço Fonte

Espaço Fonte

– Indie.Gestão 2014 – Diagnóstico de Indie.Gestão

HORTA
O Espaço Fonte nasce em meio à movimentada cena independente de Recife, já há algum tempo marcada pela existência de coletivos e espaços autônomos. Nasce também do desejo de suas fundadoras – todas mulheres acima dos 40 anos – de criar um ambiente que fosse propício ao convívio e à continuidade de reflexões e práticas artísticas iniciadas na faculdade, onde se conheceram. O formato do espaço não deriva de modelos prontos ou importados, mas de um pensamento conscientemente descolonizado: “O que podemos fazer com as condições locais?”

COZINHA
A mesa e as refeições no Espaço Fonte são centrais nas reuniões que o grupo faz para decidir questões da gestão cotidiana. Organicidade e acolhimento marcam a forma como o espaço é administrado. Suas gestoras são mulheres com especialidades diversas – artes visuais, arquitetura, gestão, jornalismo, engenharia – que investem no espaço como um lugar de educação continuada e imersiva em arte. O ritmo do Espaço Fonte é propositalmente mais lento e se opõe à voracidade que marca o atual contexto das artes. Segundo elas, o importante é “aprender e ir moldando as coisas de acordo com a experiência”.

DESPENSA
Como forma de atenuar seus custos fixos, o Espaço Fonte recorre à locação de dois quartos para artistas residentes
e conhecidos interessados em visitar o entorno do Centro Antigo de Recife. Na prática, a ideia deu certo, e por um mo- mento elas até pensaram em reformar o espaço para ampliar a quantidade de quartos – e a entrada de recursos. Foi aí que perceberam que estavam perdendo o foco dos propósitos que as levaram a abrir o Fonte.



Elefante Centro Cultural

Elefante Centro Cultural

– Indie.Gestão 2014 – Diagnóstico de Indie.Gestão

HORTA
Galeria ou espaço independente? O Elefante foi criado com a intenção de se tornar um espaço aberto para artistas que difi- cilmente encontrariam lugar nas grandes instituições e galerias comerciais que dominam a cena de Brasília. Após a inauguração, os fundadores perceberam que havia uma lacuna maior a ser preenchida: além de conhecer e eventualmente adquirir obras de arte, havia muita gente interessada em pesquisar e refletir sobre o campo das artes. Hoje, o Elefante, ao lado de outras iniciativas autônomas, integra o crescente e efervescente circuito de produções artísticas independentes do Distrito Federal.

COZINHA
Na “busca de paredes” para realizar exposições de forma independente, uma das fundadoras do Elefante Centro Cultural teve a ideia de transformar o salão de festas do prédio onde mora em uma galeria temporária. Com seus próprios recursos, adaptou os espaços e, aproveitando-se de experiências anteriores na área de marketing, investiu no contato com a imprensa local e em ações de divulgação na internet. O piloto foi um sucesso, e a partir dele foram feitas mais três exposições, que fomentaram a criação de um espaço próprio.

DESPENSA
O Elefante Centro Cultural se distingue dos demais espaços por não ter sido fundado por um grupo exclusivo de artistas ou de produtores culturais. O Elefante é uma iniciativa que conta com a experiência de uma gestora que atuou no mercado de marketing empresarial de São Paulo, trazendo conhecimento sobre práticas e ferramentas de gestão, além de habilidade para lidar com a linguagem empresarial. De igual modo, o relacionamento com a imprensa local e nacional tem sido trabalhado cuidadosamente, gerando grande visibilidade midiática e um público expressivo para as ações do espaço.


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Barracão Maravilha

Barracão Maravilha

– Indie.Gestão 2014 – Diagnóstico de Indie.Gestão

HORTA
A trajetória do Barracão Maravilha está relacionada ao Carnaval carioca. Todos os fundadores, em algum momento de suas trajetórias, trabalharam na montagem de esculturas e alegorias de escolas de samba. A forma de organização e produção do Carnaval, que pressupõe quatro meses de intensa convivência em grandes barracões, inspirou o conceito central da iniciativa: a coletividade. O espírito do Carnaval se faz presente na forma como o Barracão pensa e articula suas ações que, muitas vezes, extrapolam os limites físicos do casarão e tomam as ruas da Lapa.

COZINHA
O Barracão Maravilha foi aberto para ser um espaço de trabalho e de convívio entre amigos artistas que também desejavam conhecer e se relacionar com outras pessoas. As festas são práticas que propiciam a troca com outros públicos e aparecem como elemento importante na história coletiva do Barracão. Os casos são diversos, e vão desde o “feijão maravilha”, caldinho que preparavam e serviam junto com cachaça na Feira do Lavradio, até o dia em que usaram uma obra de arte como balsa para trafegar nas ruas alagadas da Lapa em um dia de enchente.

DESPENSA
Alguns dos integrantes do Barracão Maravilha são parentes de profissionais que ocupam funções na administração pública estadual e federal, o que tem limitado o acesso do espaço a editais públicos e recursos incentivados. A manutenção do espaço é, hoje, viabilizada por recursos pessoais de seus associados e facilitada por uma parceria estabelecida com o proprietário do casarão que o recebe. Sensibilizado com o trabalho do grupo e o uso que tem sido feito do espaço, ele tem cobrado um valor de aluguel bem abaixo do praticado no mercado.


Captura de Tela 2020-03-03 às 04.37.05 PM
Atelier do Porto

Atelier do Porto

– Indie.Gestão 2014 – Diagnóstico de Indie.Gestão

HORTA
Belém conta com uma rede de iniciativas consolidadas de formação e circulação no campo das artes visuais, mantidas direta ou indiretamente. A existência de um circuito oficial na cidade tem contribuído para o crescimento e fortalecimento de um circuito independente. O Atelier do Porto, a exemplo de outros espaços autônomos da cidade, foi criado como desdobramento de projetos de investigação iniciados em um equipamento público destinado à iniciação artística de jovens em situação de risco social.

COZINHA
O Porto do Sal foi escolhido para sediar o Atelier do Porto por estar próximo ao centro histórico de Belém e por ser uma região com preços de aluguel mais baixos. O convívio com o bairro revelou aos fundadores do espaço a riqueza de uma cultura popular portuária de grande potência para investigações artísticas. A relação com a comunidade do entorno – especialmente com pintores decorativos de embarcações e metalúrgicos portuários – é um diferencial do Atelier do Porto e tem feito com que a iniciativa se reinvente continuamente.

DESPENSA
Os gestores do Atelier do Porto colocam como desafio a autossustentabilidade, entendida por eles como a independência de financiamento público. Os vínculos estabelecidos com a comunidade do entorno e os crescentes investimentos do setor privado em ações de preservação do patrimônio histórico local têm feito com que a prestação de serviços na área de educação patrimonial seja a principal fonte de recursos do espaço, reconfigurando o desafio da sustentabilidade para outra questão: como conciliar as necessidades da produtora cultural com as de um espaço autônomo?


Captura de Tela 2020-03-03 às 04.13.30 PM
American Arts Incubator – Brasil

American Arts Incubator – Brasil

O JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, em colaboração com a ZERO1, a filial da Embaixada dos EUA em Belo Horizonte (MG) e o Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais dos Estados Unidos, tem o prazer de anunciar a American Arts Incubator – Brasil (AAI).

A AAI é um programa de intercâmbio criativo que utiliza projetos de arte digital e de novas mídias orientados para comunidades, visando instigar diálogos, construir comunidades, fortalecer economias locais e promover inovação social. Cada incubadora aborda um desafio social ou ambiental relevante, como equidade econômica, empoderamento de jovens, igualdade de gênero e sustentabilidade ambiental.

No Brasil, o programa promove a Terra aumentada: Futuros incorporados, uma série de oficinas de arte e tecnologia ministradas pelo artista americano Santiago X, voltadas a pesquisas sobre desigualdade econômica, ao desenvolvimento de protótipos de projetos de equipes colaborativas e de um espaço aberto para compartilhar as criações dos participantes com o público. A participação na incubadora é gratuita, e as equipes selecionadas receberão uma verba para desenvolver seus protótipos de projetos colaborativos. O programa será realizado no CCBB Belo Horizonte, de 12 de março a 4 de abril.

Santiago X é um artista indígena, futurista e multidisciplinar, especialista em terra, arquitetura e novas mídias. É mestre em Artes e Tecnologia pela School of the Art Institute de Chicago; mestre em Arquitetura pela University of Southern California; e bacharel em Design Ambiental pela University of Colorado. Mais informações em: https://santiagox.com/


Exposição Virtual

A Embaixada e Consulado dos Estados Unidos no Brasil, a Zero1 e o JA.CA, convidam para a exposição virtual do American Arts Incubator Brasil. A mostra é resultado de um mês do programa de intercâmbio, pesquisa e trabalho em arte e tecnologia liderada por Santiago X.

Começaremos às 16h (GMT -3:00 Belo Horizonte) da sexta (22/05), com visitas virtuais guiadas e um painel de discussão com os artistas e convidados. O evento termina com a abertura da exposição e um cocktail virtual!


Workshop: Terra aumentada – Futuros incorporados

Levando em conta o histórico da mineração no estado de Minas Gerais, visamos encontrar, a partir deste workshop, oportunidades e alternativas para um futuro mais sustentável . Vamos ocupar a paisagem com nossas visões, promovendo possibilidades de mais equidade. O conceito deste workshop tem como foco acessar saberes tradicionais, usando recursos tecnológicos para preencher ambientes físicos com portais educativos e contemplativos.

As atividades incluem uma palestra aberta ao público com o objetivo de orientar os participantes do workshop, demonstrações de ferramentas tecnológicas, e um ambiente de trabalho colaborativo baseado em equipes, incluindo desde imersões conceituais até o desenvolvimento de instalações interativas ou experimentais.


Participantes

O grupo foi composto por participantes com:

  • Interesse em tecnologias, novas mídias e/ou artes digitais. Experiência com artes é um diferencial;
  • Interesse em empreendedorismo relativo à indústria criativa;
  • Interesse em explorar e abordar o tema da equidade econômica;
  • Desejo de aprender a partir de novas perspectivas e ferramentas de conhecimento;
  • Vontade de trabalhar em um ambiente colaborativo;
  • Idade entre 18 e 29 anos;
  • Residentes da Região Metropolitana de Belo Horizonte;
  • Jovens, mulheres, indígenas, negros e pessoas com deficiência são incentivados a se candidatar;

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Dayane Tropicaos (BR)

Dayane Tropicaos (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Tendo a periferia de Contagem como primeiro contexto de experiência e intervenção, Dayane Tropicaos integra o projeto coletivo Cine sem Churumelas, criado a partir do desejo de abrir espaços públicos de troca artística e exibição de trabalhos. Também idealizou o projeto O Inusitado Cabe Dentro do Comum, no qual, além de ocupar ruas, suas ações também compreendem intervenções e exposições em espaços comerciais e de convivência, como bares, trailers, borracharias, casas de assistência técnica, buscando gerar provocações e estranhamentos em ambientes inicialmente não-artísticos. Ao mesmo tempo em que inventa modos de existir na periferia, a artista reflete sobre a própria presença e pertencimento aos espaços institucionais da arte, questionando regimes de privilégios e exclusividade.

No Bolsa Pampulha, o trabalho da artista traduz em vídeos uma série de encontros com outras mulheres negras de origem periférica que se dividem entre pesquisas e práticas artísticas e o exercício de outras funções na sociedade, considerando desigualdades raciais históricas e presentes. Entre os focos de sua pesquisa, que resulta ainda em um conjunto de uniformes relacionados a atividades profissionais subalternizadas, figuram os indícios de uma revolução que lentamente cozinha nos caldeirões de cantineiras eventualmente mal-humoradas.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Abre Caminho

A obra conta a história de uma revolta futura eminente que irá provocar transformações sociais e econômicas. São trazidas questões em torno das relações de trabalho de subalternidade, da opressão vivenciada pelas classes mais pobres, do apagamento histórico da cultura negra, apontando para um futuro de descolonização e uma reparação histórica. A instalação é formada por vídeos, uniformes em cabides, e texto impresso em tecido.

Na altura dos olhos

Em um presente distópico, ainda continuo com a utopia à altura dos olhos. Depois de muito tempo respirando fumaça e caminhando por ruínas daquilo que ainda não foi construído, procurei no entulho vestígios do passado dos meus esquecidos. Vencida, comecei correr atrás do futuro desconhecido e me dei conta de que existe uma revolta cozinhando nas panelas das cantineiras mal-humoradas, ela está para acontecer e a percebo na displicência dos garçons apressados. Tenho visto seus vestígios na fumaça do cigarro das faxineiras que fumam nos banheiros, na roupa mal passada pela empregada, na obra demorada do pedreiro. Está para acontecer essa revolta, e ela será inevitável. E eu a escuto sempre na ligação muda da operadora de telemarketing que desliga. Eu vi de novo seu rastro na atendente que nunca dá razão ao cliente. Sim, ela está para acontecer, ontem mesmo vi o lixo rasgado que o lixeiro deixou pra trás, vi a atendente do fast-food inexpressiva. Vejo ela avançar, se organizar. Alguns tomaram a frente e gritam que essa revolta será pela retomada de poder.



– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Abre Caminho: Roda de Conversa

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Dayane Tropicaos propôs a roda de conversa com o objetivo de conversar e compartilhar sobre as reflexões que permearam o processo de criação do trabalho “Abre Caminho”. O encontro contou com a presença da artista junto às convidadas Raíssa Haizer, Daiana Arcanjo, Flávia Aniceto e Negah Thé, participantes no trabalho. Também foram compartilhado alguns processos do trabalho por meio de alguns trechos de conversas gravadas durante o processo da residência. O trabalho partiu de vivências de mulheres negras da periferia levando em consideração a criação de estratégias de enfrentamento ao racismo estrutural. A ação foi realizada na Escola Livre de Artes Arena da Cultura, no centro de Belo Horizonte. 

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Virgínia de Medeiros

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Virgínia de Medeiros

A arte como resposta à crise social que vivemos

Entre os dias 10 e 12 de maio, de sexta a domingo, o Museu de Arte da Pampulha recebeu a artista baiana Virgínia de Medeiros para um encontro com os criadores contemplados pelo programa Bolsa Pampulha 2018/2019.

Ao longo do encontro, a artista apresentou uma série de reflexões sobre a própria trajetória, dedicada à realização de projetos audiovisuais a partir de experiências de convivência e colaboração com grupos sociais bastante distintos, a exemplo de prostitutas, líderes religiosos, praticantes de BDSM e moradoras de uma ocupação popular situada no centro de São Paulo. Entre os trabalhos compartilhados com os bolsistas, figuram os projetos Studio Butterfly (2003-2006), Cais do Corpo (2015), Alma de Bronze (2016-2018) e ainda o vídeo inédito Trem em Transe, filmado num vagão de trem urbano em Salvador.

No sábado, Virgínia de Medeiros ministrou uma oficina aberta aos bolsistas e ao público em geral, tendo como ponto de partida a potência do encontro entre diferentes histórias de vida. No último dia da imersão, domingo (12), Virgínia levou ao Museu de Arte da Pampulha uma palestra em que compartilhou com o público mais alguns de seus trabalhos, buscando ressaltar urgências do tempo presente e introduzir ao campo da arte contemporânea possibilidades de diálogo com a complexa realidade social que nos cerca.

O trabalho de Virgínia converge de estratégias documentais, para ir além do testemunho, questionando os limites entre realidade e ficção. A artista lida com o deslocamento, a participação e a fabulação. Adaptando imagens documentais para usos subjetivos, pessoais e conceituais, propiciando a revisão dos modos de leitura e representação da realidade e da alteridade. De Medeiros atua na área de arte e tecnologia com ênfase em vídeo-instalação e audiovisual.



Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Júlia Rebouças

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Júlia Rebouças

Sertão: Projetos de experimentação, projetos de resistência

Entre os dias 7 e 9 de junho de 2019, de sexta a domingo, o Museu de Arte da Pampulha recebeu o segundo encontro imersivo entre os artistas contemplados pelo Bolsa Pampulha 2018/2019 e os integrantes da comissão de acompanhamento do programa – Augusto Fonseca, Beatriz Lemos, Júlia Rebouças, Mônica Hoff e Samantha Moreira.

Ao longo dos dois primeiros dias do encontro, os artistas compartilharam os passos e planos traçados em direção às próprias pesquisas, estabelecendo diálogos e recebendo críticas, considerações e sugestões dos integrantes da comissão em relação ao desenvolvimento dos trabalhos.

No último dia da imersão, a curadora e pesquisadora Júlia Rebouças levou ao Museu de Arte da Pampulha uma ampla reflexão sobre a brasilidade e as identidades brasileiras a partir da curadoria do 36º Panorama da Arte Brasileira, exposição bienal tradicionalmente realizada pelo MAM São Paulo. Com curadoria de Júlia e início marcado para 18 de agosto de 2019, a exposição traz como título a palavra “Sertão”, buscando ampliar seus sentidos e reverberar os múltiplos saberes que constituem o contraponto do Brasil moderno.

Julia é curadora, pesquisadora e crítica de arte. Foi co-curadora da 32a Bienal de São Paulo, Incerteza Viva (2016). De 2007 a 2015, trabalhou na curadoria do Instituto Inhotim. Colaborou com a Associação Cultural Videobrasil, nos 18º e 19º Festivais Internacionais de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil. Em 2013, foi curadora adjunta da 9ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre.



Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Rosângela Rennó

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Rosângela Rennó

Do arquivo à circulação das imagens e de volta para o arquivo

Entre os dias 5 e 7 de julho, de sexta a domingo, o Museu de Arte da Pampulha recebeu a artista mineira Rosângela Rennó para um encontro com os criadores contemplados pelo programa Bolsa Pampulha 2018/2019.

No decorrer do encontro, a artista conversou com os bolsistas sobre o andamento dos seus projetos de pesquisa, tendo como foco ações relacionadas à organização e à apropriação de imagens, sejam elas encontradas ou buscadas. Autora de numerosos trabalhos criados a partir da apropriação de fotografias oriundas de arquivos públicos, privados e institucionais, Rosângela refletiu ainda sobre o que defende como um novo estatuto da imagem: do antigo modelo centrado em álbuns e arquivos, passamos agora a um contexto no qual as imagens são produzidas para circular, desestabilizando noções de tempo, memória e autoria.

No sábado, Rosângela Rennó conduziu uma atividade aberta aos bolsistas e ao público em geral, realizada a partir do compartilhamento de arquivos fotográficos de diferentes origens e características, trazidos pelos participantes. No último dia da imersão, a artista apresentou aos visitantes do Museu de Arte da Pampulha alguns de seus projetos mais recentes, todos relacionados à organização de imagens produzidas por outras pessoas, dentre os quais a exposição Foto Cine Clube Bandeirante: do arquivo à rede (2016) e os projetos Rio Utópico (2017-2018) e Good Apples/Bad Apples (2018-2019).

Rosângela vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formou-se em Artes Plásticas pela Escola Guignard e em Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais. É doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Sua obra é marcada por apropriação de imagens descartadas, encontradas em mercados de pulgas e feiras, e pela investigação das relações entre memória e esquecimento. Em suas fotografias, objetos, vídeos ou instalações, trabalha com álbuns de família e imagens obtidas em arquivos públicos ou privados.



Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Mônica Hoff

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Mônica Hoff

Como ensinar o que na verdade se quer aprender?

Entre os dias 26 a 28 de julho de 2019, de sexta a domingo, o Museu de Arte da Pampulha recebeu o terceiro e último encontro imersivo entre os artistas contemplados pelo Bolsa Pampulha 2018/2019 e os integrantes da comissão de acompanhamento do programa – Augusto Fonseca, Beatriz Lemos, Júlia Rebouças, Mônica Hoff e Samantha Moreira.

Ao longo do primeiro dia do encontro, os artistas apresentaram o andamento de suas pesquisas, estabelecendo diálogos e recebendo críticas, considerações e sugestões dos integrantes da comissão. Durante o segundo dia, foram realizadas conversas individuais entre os artistas e as curadoras convidadas, tendo como foco a expografia dos trabalhos realizados durante a residência.

No último dia da imersão, a curadora, pesquisadora e arte-educadora Mônica Hoff levou ao Museu de Arte da Pampulha uma série de reflexões sobre a própria trajetória profissional, trazendo à discussão conceitos como aprendizagem e desaprendizagem, contrapedagogias e pedagogias do poder. Entre os projetos comentados, figura a ação “Oficina Pública de Perguntas”, voltada a públicos de todas as idades. 

Mônica é artista, curadora, pesquisadora, e co-fundadora do Espaço Embarcação, em Florianópolis. É Mestre em História, Teoria e Crítica de Arte pela UFRGS, e atualmente cursa doutorado em Processos Artísticos Contemporâneos no PPGAV/UDESC.



Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Beatriz Lemos

Bolsa Pampulha 2018/2019 | Fala de Beatriz Lemos

A construção de um vocabulário anticolonial

Entre os dias 10 e 12 de abril de 2019, de sexta a domingo, a Casa Kubitschek e o Museu de Arte da Pampulha receberam o primeiro encontro imersivo entre os artistas contemplados pelo Bolsa Pampulha 2018/2019 e os integrantes da comissão de acompanhamento do programa – Augusto Fonseca, Beatriz Lemos, Júlia Rebouças, Mônica Hoff e Samantha Moreira.

Ao longo dos dois primeiros dias do encontro, sediados na Casa Kubitschek, os artistas apresentaram seus projetos de pesquisa, estabelecendo diálogos e recebendo críticas, considerações e sugestões dos integrantes da comissão em relação ao desenvolvimento dos trabalhos.

No último dia da imersão, a curadora e pesquisadora Beatriz Lemos levou ao Museu de Arte da Pampulha uma série de reflexões sobre a própria trajetória profissional, vinculada à plataforma Lastro – Intercâmbios Livres em Arte e dedicada à investigação de caminhos para a descolonização da arte contemporânea latino-americana. 

Beatriz atua como curadora e pesquisadora especializada em articulações em redes. É idealizadora da plataforma de pesquisa Lastro – intercâmbios livres em arte. Em 2017/2018 integrou o júri curatorial do 20º Festival de Arte Contemporânea – Sesc/Videobrasil. Tem realizado cursos e oficinas sobre processos anticoloniais no Brasil e América Latina e, atualmente, coordena o Grupo de estudos Lastro na Casa 1 (SP).



Desali (BR)

Desali (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

A partir de lambes, cartazes e outras estratégias de intervenção urbana, Desali tem se dedicado a tratamentos poéticos da realidade das ruas, investindo na visibilização de apagamentos sociais e na sobreposição de diferentes tempos no mesmo espaço. Em seu trabalho, chama atenção a uma lógica de controle e higienização urbana que demanda permanentemente a invenção de inimigos públicos. Desviando-se dos suportes tradicionais convencionais da arte, inclui em suas criações elementos de sinalização e publicidade urbana, assim como materiais encontrados em caçambas e canteiros de obras. Como dispositivos de criação, figuram frequentemente derivas urbanas, assim como a criação de coletivos temporários que servem como espaços de troca e aprendizagem.

No programa Bolsa Pampulha 2018/2019, o artista se dedica uma ampla investigação histórica em torno do apagamento dos trabalhadores envolvidos na construção artificial da região da Pampulha, assim como do deslocamento de comunidades que viviam por lá antes do processo de “modernização” da área. Como dispositivo crítico para preencher lacunas e desvios identificados nas narrativas que compõem a história oficial da cidade, o artista apresenta um vídeo inédito gravado no museu, uma performance com o coletivo Piolho Nababo, além de uma série de intervenções visuais e textuais em periódicos dos anos 1930 e 1940.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Carne Quebrada

O artista se dedica a uma ampla investigação histórica em torno do apagamento dos trabalhadores envolvidos na construção artificial da região da Pampulha, assim como do deslocamento de comunidades que viviam por lá antes do processo de “modernização” da área. Como dispositivo crítico para preencher lacunas e desvios identificados nas narrativas que compõem a história oficial da cidade, Desali apresenta um vídeo inédito gravado no museu, uma performance com o coletivo Piolho Nababo, além de uma série de intervenções visuais e textuais em periódicos dos anos 1930 e 1940.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Galeria de Arte Itinerante Dandara

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, e em parceria com Aura da Luta, Desali inaugura uma Galeria Itinerante na ocupação Dandara, dando continuidade às experiências do projeto Galeria William Rosa, realizadas na ocupação William Rosa, em Contagem.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Leilão Piolho Cassino Dandara

Desde 2011, o coletivo Piolho Nababo organiza a performance Leilão de Arte Piolho Nababo. A ação representa uma sátira aos tradicionais leilões e negociatas que integram o mercado da arte. As transações acontecem em clima de festa, animadas por bandas independentes e DJs.


 Dispositivo Móvel para Ações Compartilhadas 2015 – Tratar direto com o proprietário c/ Manuel Carvalho

O projeto desenvolvido durante a residência possibilitou o encontro direto com o que Desali vem trabalhado nos últimos anos: produção marcada pela liberdade e pela improvisação, em que a trajetória dos artistas envolvidos se adapta a diversas condições, contextos e espaços. Atuando em consonância com a situação ao invés de moldá-la a uma ideia ou conceito prévio.

Assim, o trabalho realizado em parceria com o artista Manuel Carvalho envolveu a criação de uma galeria de arte em um boteco nas intermediações do bairro Jardim Canadá, município de Nova Lima, a partir do convívio com um grupo de frequentadores do local.

A dupla produziu uma série de 15 pinturas de formatos variados para esse bar-galeria, inspirada nas pessoas que conheceu no local: desde uma criança que auxilia a mãe no estabelecimento até fregueses que frequentam o espaço para beber após um dia de trabalho. Durante esse período, o bar, que se chama Vandinha, foi se transformando em um cubo branco às avessas, servindo como espaço de exposição e de troca de experiências.

A dupla de artistas conheceu, ainda, um jovem com grandes potencialidades, conhecido pelo apelido Vertin. Autodidata da música periférica, o MC JC (nome artístico) já cantava em eventos e baladas noturnas. Desse contato surgiu a ideia de criar um videoclipe para uma de suas músicas, o que demandou a gravação da melodia em um estúdio no bairro Santa Teresa, bem como a realização de serviço de mixagem e produção de vídeo. Além disso, foi elaborado e impresso flyer de divulgação do lançamento, que aconteceu no mesmo dia da abertura da exposição – para distribuição por Vertin em sua comunidade e publicação do evento nas redes sociais.

Foi realizada a vernissage da exposição Tratar direto com o proprietário, no bar da Vandinha. O título já adianta o sistema de vendas adotado: os galeristas e colecionadores presentes negociaram os valores e as formas de pagamento diretamente com as pessoas retratadas nas pinturas, as quais receberam a quantia para si.

Enquanto os jovens decidiam o destino de cada obra, se iriam vender ou não, Vertin (ou MC JC) cantou músicas de sua autoria e lançou seu primeiro videoclipe com a presença da comunidade e de convidados da Grande BH.

Guerreiro do Divino Amor (BR)

Guerreiro do Divino Amor (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Em seu projeto Atlas Superficcional Mundial, Guerreiro do Divino Amor vem criando um universo de ficção científica a partir de elementos da realidade social contemporânea. Sua poética parte de confrontos e composições entre duas orientações civilizatórias que disputam o controle da Terra e da mente dos seus habitantes: o império, com sua lógica colonial, matemática e higienista, e a pluriversal e instintiva galáxia, que remete à Terra como um pequeno planeta de um grande sistema que em muito nos ultrapassa.

Dentro do projeto, que inclui criações audiovisuais, instalações e publicações impressas, o artista vem realizando uma análise crítica da sociedade brasileira a partir de estudos multidisciplinares sobre cidades como o Rio de Janeiro, onde vive, além de São Paulo e Brasília. Trazendo o excesso como recorrente recurso de linguagem, investiga as múltiplas ficções e mitos em torno dessas cidades e chama atenção a imaginários coletivos concorrentes que, sobretudo por meio de canais midiáticos, rondam as metrópoles brasileiras.

No Bolsa Pampulha 2018/2019, o artista se propõe a incluir Ouro Preto, Belo Horizonte e Brasília neste mapa crítico, entendendo as superficções mineiras – ou ainda, minerais – como protótipos de um racionalismo pálido e colonial que encontraria seu ápice na criação da artificialmente moderna capital brasileira.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Capítulos inéditos do Atlas Superficcional Mundial: O Mundo Mineral & a Cristalização de Brasília

Guerreiro do Divino Amor produziu mais um capítulo da série Atlas Superficcional Mundial. Depois de Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília (finalista da edição 2019 do renomado prêmio PIPA), o artista inclui Minas Gerais em sua ficção superrealista. O artista vem realizando uma análise crítica da sociedade brasileira a partir de estudos multidisciplinares sobre cidades, trazendo o excesso como recorrente recurso de linguagem e investigando as múltiplas ficções e mitos em torno delas. Chama atenção a imaginários coletivos concorrentes que, sobretudo, por meio de canais midiáticos, rondam as metrópoles brasileiras.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Conferência Superficcional

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Guerreiro do Divino Amor propôs a Conferência Superficcional, realizada no MIS Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte. Na ocasião, o artista apresentou a gênese e os caminhos para a construção do Atlas Superficcional, e exibiu oito curtas: “A Batalha de Bruxelas”; Guerra entre Império e Galáxia: a escala local e mundial; SuperRio, um ecossistema superficcional no Rio de Janeiro pré-olimpico; Clube da Criança, cosmogonia do desabrochar do desejo na infância; Supercomplexo Metropolitano Expandido, máquina superficcional de poder sucesso e expansão; Helvetia: panteão alegórico; Brasília: futuro como cristalização do passado (Formação, Embalsamento e nova Alvorada); e Construções da mineralidade: famílias minerais, cozinha mineral, propriedades dos minerais.
Sara Lana (BR)

Sara Lana (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Boa parte da obra da belo-horizontina Sara Lana deriva de seu interesse pela escuta, com atenção especial a sons não-musicais, detectados a partir de microfones instalados em matilhas de cães ou ainda em sobreposições de narrações de jogos de futebol. A partir desses elementos, a artista investiga o que há de comum e discrepante em variadas narrativas sonoras. Em trabalhos mais recentes, tem se dedicado à busca de pontos cegos, surdos, mudos na cidade, considerando a onipresença, a desregulação e a possibilidade de mapeamento de câmeras urbanas em diferentes centros brasileiros.

No programa Bolsa Pampulha, dá continuidade a uma investigação realizada a partir de câmeras de vigilância residenciais, considerando as contradições de um sistema que ao mesmo tempo vigia e expõe os vigiados. Segurança e exposição, proteção e desproteção, visibilidade e invisibilidade são alguns dos campos de interesse da artista, que a partir do amplo material levantado propõe uma reflexão sobre algumas disfuncionalidades da hiper-vigiada sociedade em que vivemos.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços I

Em Espécies de Espaços I são apresentados, em vídeo e anotações, diários íntimos de 5 personagens construídos a partir de imagens domésticas de câmeras de vigilância deixadas abertas na internet.

Indivíduos e seus gestos são eliminados para mostrar-nos o que resta de sua convivência com os objetos da casa, o deslocamento de uma planta na sala de estar, a entrada de um cachorro pela porta da frente, fazendo-nos estranhar processos naturalizados de vigilância em nosso mundo contemporâneo.

Os procedimentos não são expostos ou revelados, mas há um jogo com o arquivo obtido na captura e observação dessas imagens. Por outro lado, as pessoas agem como se não estivessem sendo observadas e confiam plenamente, ou quase, na tecnologia a seu dispor.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços II

Um conjunto de imagens nos oferece a visão sobre a ocupação aparentemente inofensiva das aranhas. O dado importante sobre estas imagens é que elas são registros realizados por câmeras de vigilância domésticas do mundo inteiro. São incontáveis as câmeras que tiveram suas imagens inviabilizadas graças às aranhas que, em disputa pelas quinas, tramaram teias na frente desses aparatos.

Espécies de Espaços II é resultado da coleta dessas imagens, partindo de câmeras deixadas abertas na internet por negligência de seus usuários. Aparentemente, uma aranha leva de 20 a 30 minutos para tecer sua teia. Esta, que por sinal também é a palavra em inglês usada para nomear a grande rede que nos conecta globalmente (web), torna-se a imagem mais crítica desse conjunto. É a única capaz de realmente fornecer uma ideia de privacidade e proteção.

Esse trabalho faz parte de uma longa investigação realizada a partir de câmeras de vigilância residenciais, considerando as contradições de um sistema que ao mesmo tempo vigia e expõe os vigiados. Segurança e exposição, proteção e desproteção, visibilidade e invisibilidade são alguns dos focos dessa pesquisa, que a partir do amplo material levantado propõe uma reflexão sobre algumas disfuncionalidades da hiper-vigiada sociedade em que vivemos.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Espécies de Espaços III

Em Espécies de Espaços III são apresentadas imagens de câmeras de vigilância que geram estranhamento, surpresa ou indagações. Seja por sua inesperada poética, como paisagens cuja composição é digna de enquadros cinematográficos, ou por captarem cenas inusitadas, como insetos que fizeram da câmera um ninho bastante singular.

No entanto, é importante destacar, que imagens capturadas pelas câmeras de vigilância não são feitas exatamente para a apreciação de um espectador. A um primeiro contato, supomos que não há muito para ser visto. Tais imagens, escoadas para um arquivo virtual, não têm exatamente um destinatário, mas cumprem a função de monitoramento sob o argumento da segurança.

As câmeras, com a anuência de seus proprietários, produzem imagens para um arquivo raramente acessado. A maioria delas sequer é baixada para dispositivos como o computador, ao menos que haja alguma ameaça à propriedade vigiada.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Táticas de (in)visibilidade: pontos cegos e rotas invisíveis

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Sara Lana promoveu o encontro Táticas de (in)visibilidade: pontos cegos e rotas invisíveis, no Centro de Referência da Juventude, em Belo Horizonte. A ação consistiu em uma apresentação inicial do projeto Pontos Cegos, seguida de uma caminhada com o público participante pelo hipercentro de BH, com intuito de mapear, coletivamente, as câmeras de segurança do perímetro percorrido. Com o mapa construído, o grupo fez o primeiro teste do Traçador de Rotas de invisibilidade.


– Programa de Residências Internacionais – 2017 – Matilha

Em Matilha, a artista mineira Sara Lana propõe um estudo do espaço sonoro do JA.CA partindo da perspectiva auditiva dos cães vira-la habitantes do Jardim Canadá. Para tanto, a artista construiu circuitos elétricos, equipados com microfones e transmissores FM, operando em distintas bandas de frequência. Esses circuitos foram acoplados em vários cães do bairro, com o objetivo de analisar e registrar os áudios que compõem o entorno sonoro dos cachorros da região.

O trabalho foi realizado em parceria com a comunidade canina do Jardim Canadá no intento de estabelecer um vínculo de protocooperação com os animais. A protocooperação é uma relação benéfica para ambas as espécies, portanto, em troca de suas atuações como agentes da pesquisa, Sara Lana ofereceu para eles algo em troca, impactando, porém, o mínimo possível em seu cotidiano.

Sallisa Rosa (BR)

Sallisa Rosa (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

O que é ser indígena hoje? Recusando a imagem de povos indígenas congelados no tempo, assim como os tratamentos tradicionalmente atribuídos aos mesmos povos pelas artes visuais e a antropologia, os trabalhos de Sallisa Rosa se voltam à trajetória de indígenas urbanos em território brasileiro. Como forma de dar a ver um contexto marcado por violências e migrações forçadas, assim como pelo apagamento de ancestralidades, memórias e rituais, a artista reconstrói um álbum de infância como performance narrativa, no qual os registros fotográficos, inexistentes, cedem lugar a legendas ouvidas e inventadas. Vivendo há quatro anos no Rio de Janeiro, em uma comunidade urbana formada por indígenas de diferentes origens, a artista lembra que não são os indígenas que estão nas cidades, mas as cidades, sim, se situam em territórios indígenas.

Durante o programa Bolsa Pampulha 2018/2019, ela reflete sobre o esgotamento de sentidos característico ao mundo globalizado, defendendo a revalorização de culturas ancestrais a partir de atitudes que podem parecer arcaicas, mas tornam-se, ao final, futuristas. Ao afirmar a mandioca como caminho artístico ancestral, propõe a criação de uma horta no terreno anexo ao Museu de Arte da Pampulha. A partir de Umuarama (“lugar de descanso”), a artista dá início a um processo que remete à divisão originária do território americano, coloca nossas raízes de volta à cultura e ao mundo da mandioca e vislumbra, por fim, a possibilidade de enraizar a cultura indígena na cidade de Belo Horizonte.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Umuarama: Conversa ao pé da fogueira

Ao afirmar a mandioca como caminho artístico ancestral, Sallisa Rosa criou uma horta no terreno anexo ao museu. A partir de Umuarama (nome indígena para “lugar de descanso”), deu início a um processo que remete à divisão geopolítica originária do território americano: Povos da Mandioca, no Brasil; Povos da Batata, nos Andes; e Povos do Milho, parte do que chamamos América Latina. Ela vislumbra a possibilidade de enraizar a cultura indígena na cidade de Belo Horizonte, lembrando que não são os indígenas que estão nas cidades, mas as cidades que se situam em territórios indígenas.

Em sua ação, todos serão convidados a fazer comida, que é a base da alimentação dos povos originários de Abya yala (nome indígena para América): mandioca, milho, batata, peixe, pajuaru. Uma fogueira será construída no terreno anexo ao museu, onde ocorrerá conversa no modo indígena, com cantos e histórias.

Umuarama

Umuarama, no tupi: “local ensolarado onde se encontram os amigos, lugar de descanso”.

A palavra “arte” não tem tradução em quase nenhuma língua indígena porque, assim como no contexto ancestral africano, os povos tradicionais não separam a arte da vida. Assim, a arte abrange um universo de práticas que não são necessariamente um objeto ou um artefato, mas que compõe em ritualizar a vida.

No mundo globalizado em que vivemos com esgotamento de sentidos, faz-se necessária a construção de novos valores que deslocam para revalorização da cultura ancestral, o que deveria parecer arcaico, mas é, ao final, futurista. Nesse sentido, nasce a Horta de Mandioca, em terreno anexo ao Museu de Arte da Pampulha.

leia mais: guaja.cc/horta-de-mandioca/


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Roda de Conversa e Oficina de Cartazes

Durante a residência, Sallisa Rosa promoveu duas ações com o objetivo de compartilhar sua investigação sobre como o processo de colonização repercute na produção de imagens principalmente quando se trata dos povos originários.

A primeira delas consistiu em uma roda de conversa aberta ao público realizada no Centro de Referência da Juventude (CRJ), no centro de Belo Horizonte. Entendendo que a colonização não se encerrou em determinada data, e que, por isso, também acontece via imagem, a artista apresentou trabalhos próprios e de outros fotógrafos e artistas indígenas e não-indígenas com o objetivo de refletir sobre descolonização e identidade nativa contemporânea.

A segunda ação, aberta ao público mediante inscrição e também realizada no CRJ, convidou os participantes a produzir cartazes e pensar em palavras, frases e imagens que contribuem para o processo de descolonização e ajudam a pensar sobre as urgências indígenas contemporâneas.

Ventura Profana (BR)

Ventura Profana (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Nascida em Salvador e radicada no Rio de Janeiro, a artista-travesti Ventura Profana problematiza os efeitos sociais, culturais e políticos dos processos de tradução e interpretação de textos bíblicos, historicamente apropriados por projetos políticos de embranquecimento populacional e concentração de poder. Em alguns trabalhos, realiza interferências visuais sobre imagens, objetos e produtos relacionados ao universo cristão, de modo a questionar a associação entre fé e “neutralização” dos corpos. Como em um plano de salvação coletiva, propõe a disputa pela narrativa de Jesus como um corpo dissidente, não hegemônico e não-normativo. Afirmando a si mesma como um corpo apocalíptico, defende a ressignificação e a apropriação do milagre como potência de vida.

Sua proposta para o programa Bolsa Pampulha 2018/2019 envolve estudos e redesenhos de mobiliários geralmente encontrados em Igrejas, assim como a gravação de um disco em que possa professar, em alto e bom tom, suas palavras de salvação. Ventura dedica-se ainda à criação de uma Igreja capaz de abrigar encontros e rituais coletivos nos quais possa disseminar sua fé entre outros corpos dissidentes da cidade de Belo Horizonte. Se Deus pode ser Deise, como ela se manifesta em nossos corpos?


–Bolsa Pampulha 2018/2019 – Tabernáculo da Edificação

Ventura Profana problematiza os efeitos sociais, culturais e políticos dos processos de tradução e interpretação de textos bíblicos, que para a artista foram historicamente apropriados por projetos políticos de embranquecimento populacional e concentração de poder. A artista propõe a disputa por outras narrativas como a de corpos dissidentes, não hegemônicos e não-normativos. Afirmando a si mesma como um corpo apocalíptico, defende a ressignificação e a apropriação do milagre como potência de vida. Intitulada Tabernáculo da Edificação, sua proposta para o programa Bolsa Pampulha envolve estudos e redesenhos de mobiliários geralmente encontrados em Igrejas, assim como a gravação de um clipe em que possa professar, em alto e bom tom, suas palavras de salvação.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Trava fantástica, literatura e composição de travesti
Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, a cantora, escritora, compositora, performer e artista visual Ventura Profana propôs a oficina “Trava fantástica, literatura e composição de travesti”, com o objetivo de discutir a potência da escrita no vislumbre e demarcação de outras possibilidades de vida. Em dois encontros, ela apresentou trechos de escritos, letras de canções, manifestos produzidos por travestis da última década.
De que maneira as palavras exercem poder sobre a realidade? Literatura de trava é arma de guerra. A oficina também contou com leituras e discussões com base em textos de autoras como Jota Mombaça, Linn da Quebrada, Jup do Bairro, Rosa Luz e Monna Brutal.
Simone Cortezão (BR)

Simone Cortezão (BR)

– Residência arte&minería  do SACO – Festival de Arte Contemporáneo (Antofagasta/Chile)  2020 – Zonas de ressaca

Simone Cortezão esteve em Antofagasta durante quase todo o mês de janeiro de 2020 como convidada da residência arte&minería, possibilidade graças a uma parceria entre o SACO e o JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia. Durante a estadia, a cineasta esteve em uma das regiões do Chile mais afetadas pelo impacto do extrativismo industrial, assunto em que ela já aborda em seus filmes e obras visuais.

“Zonas de ressaca” é o termo cunhado por Simone para definir o impacto do extrativismo de grandes indústrias nos locais físicos onde se instalam, espaços onde a atividade econômica abstrata encontra sua materialidade em resíduos minerais, na exploração dos territórios, no desemprego, no desperdício da paisagem e nos efeitos negativos dos sistemas produtivos que devastaram a geografia e as pessoas que a habitam.

[ENTREVISTA] Simone Cortezão, artista visual y cineasta brasileña: Construyendo experiencias visuales desde la magnitud de los procesos industriales


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Dedicada ao desenvolvimento da Trilogia das Escavações, iniciada em 2010 e composta por três filmes situados entre documentário e ficção, Simone Cortezão investiga o contexto da exploração de recursos naturais em Minas Gerais a partir de distintas perspectivas, escalas, tempos e espaços. Atravessadas por paisagens naturais e artificiais, suas obras se voltam, por exemplo, às complexas relações entre quintais e eucaliptais, em contextos nos quais a urbanização se dá a partir de situações de industrialização, assim como à intensa transferência de recursos naturais de um lado a outro do planeta. Encontrando na ficção um meio de acessar universos vetados ao tratamento meramente documental, sua pesquisa afirma a escavação como ativação de passados e existências enterradas sob o solo.

No Bolsa Pampulha, a artista-pesquisadora visa a captação de sons produzidos em áreas desativadas de mineração, buscando gerar testemunhos sonoros da matéria em estado de coma, os quais serão combinados a depoimentos de xamãs e cientistas sobre o mesmo fenômeno. Ante um contexto marcado pelo desgaste das imagens, aposta na potência do som e da escuta como modos de acessar reverberações de violentos gestos humanos sobre a Terra.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Terras Remotas

Em Terras Remotas, a artista-pesquisadora capta sons produzidos em áreas desativadas de mineração, buscando gerar testemunhos sonoros da matéria em estado de coma, os quais serão combinados com textos e dados sobre o mesmo fenômeno. Ante um contexto marcado pelo desgaste das imagens, aposta na potência do som e da escuta como modos de acessar reverberações de violentos gestos humanos sobre a Terra. Para a exposição, Simone produziu dois vídeos que expõem o diálogo de imagens e de sons, composto de conversas, de dados da mineração, do vagar por esses espaços arrombados, e de imagens de montanhas mineradas e não mineradas.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Exibição e sessão comentada: Navios de Terra

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, foi exibido no MIS Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte, o filme Navios de Terra, dirigido por Simone Cortezão. A sessão contou com comentários da diretora e Luis Fernando Mouro, e mediação de Daniel Toledo.

Há anos a montanha é deslocada entre dois países: Brasil e China. Rômulo, ex-minerador e agora marinheiro, segue levando parte da montanha e vai ao encontro de outra. Na imensidão do mar, ele conhece outros viajantes, e em momentos febris encontra as memórias e o espírito da terra. Num cotidiano atravessado por outras línguas que ele não fala, mesmo sem entender, as conversas em desencontro acontecem. Assim, Rômulo vai enfrentar dias lentos na imensidão do oceano até o outro continente.

Alex Oliveira (BR)

Alex Oliveira (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Interessado em dinâmicas de participação, encontro, relação e jogo, o artista baiano Alex Oliveira propõe ao Bolsa Pampulha 2018/2019 o desenvolvimento do projeto Fotoperformances Populares, que prevê o desenvolvimento de um dispositivo capaz de ativar performances populares em distintos contextos urbanos da cidade de Belo Horizonte e produzir, a partir dessas situações, registros fotográficos de transeuntes. À investigação proposta, interessa abrir espaço à colaboração e à revelação de subjetividades desses colaboradores, experimentando, para isso, gestos mínimos do artista.

Como acessar e abordar essas pessoas? Como identificar o desejo de ser fotografado ou fotografada? Como voltar-se à performatividade das pessoas no mundo? Quem são essas outras e outros? Que histórias, memórias e imagens vão trazer? Como transitar entre a reprodução de imagens herdadas e construção ativa, por vezes intencional, de imagens construídas no presente? Como experimentar a auto-ficção, a docuficção e a docu-fricção?


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Fotoperformance Popular

Fotoperformance Popular é uma obra composta por 90 fotografias produzidas no Centro de Belo Horizonte. A instalação do estúdioperformance na cidade permeia uma criação coletiva entre fotografia, performance participativa e intervenção urbana. Resulta em um álbum de fotografias que suscita um sentimento de pertencimento, revelando, em grande parte, vendedores autônomos, profissionais liberais, camelôs, cabeleireiros, barbeiro, lavador de carro, gritadeiras, ambulante do café, auxiliar financeiro, funcionários públicos, desempregados, estudantes, artistas, performers, produtores, motorista, mestre de obras e vendedor de picolé.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Oficina Fotoperformance Popular

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Alex Oliveira propôs a oficina Fotoperformance Popular, realizada na Câmera Sete – Casa da fotografia de Minas Gerais, no centro de Belo Horizonte. A ação ocorreu em dois dias. No primeiro, os participantes foram suscitados a criarem fotoperformances no espaço urbano, dividindo com os transeuntes suas respectivas ações performáticas. O artista trouxe à tona a técnica de lambe-lambe, mostrando algumas referências visuais das possibilidades e potências em torno da ocupação e intervenção por meio da fotografia. No segundo dia, os participantes compartilharam as fotoperformances produzidas a partir da técnica lambe-lambe, colando-as em diferentes pontos da Praça Sete.

Davi de Jesus do Nascimento (BR)

Davi de Jesus do Nascimento (BR)

– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Guiado por forte escuta familiar, assim como por acontecimentos que remetem à sua comunidade barranqueira de origem, Davi de Jesus do Nascimento toma como pontos de partida de seu trabalho o falecimento da própria mãe e o adoecimento do rio São Francisco.

A partir de criações que abrangem ações ritualísticas, vídeos, fotografias, textos poéticos e pinturas terrosas, aborda o ser humano e suas memórias como matéria essencialmente orgânica, entendendo a arte como campo propício à coletivização de dores que permeiam a passagem do tempo. Dedica-se ainda à produção de auto-retratos e retratos de si em contextos rurais e urbanos, além de composições a partir de fotografias, alimentos, fósseis de animais e outros objetos, gerando efeitos que remetem a processos de luto, perecimento e integração que sucedem a morte da matéria.

No Bolsa Pampulha, em constante companhia de uma carranca de madeira com peso de 20kg, típica das embarcações do Velho Chico, o artista se afirma como um corpo-embarcação: um corpo-rio que circula em territórios cimentados aos quais não pertence nem quer pertencer. A partir de idas e vindas à sua cidade natal, traz ao Museu de Arte da Pampulha um conjunto de canoas de pescadores da sua região, tornadas em esculturas – quiçá monumentos – a partir de poéticas interferências do artista.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Corpo-Embarcação

Em constante companhia de uma carranca de madeira com peso de 20kg, típica das embarcações do Velho Chico, o artista se afirma como um corpo-embarcação: um corpo-rio que circula em territórios cimentados aos quais não pertence nem quer pertencer. A partir de idas e vindas à sua cidade natal, Pirapora (MG), traz um conjunto de canoas de pescadores da sua região, tornadas em esculturas, quiçá monumentos, por meio de poéticas interferências do artista. A obra pôde ser vista no interior do museu, em seus jardins e também na orla da Lagoa.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 –Pescador tecendo rede é aranha: Oficina com Davi Nascimento

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, o artista Davi de Jesus do Nascimento propôs uma oficina de rede de pesca conduzida por seu pai, Davi Nascimento. A atividade aconteceu na Casa Kubitschek, em Belo Horizonte.

Pescador tecendo rede é aranha

“Meu pai sempre me disse que a rede de pesca tecida manualmente é mais bem feita e melhor pra pegar peixe. Convidei ele – que é marceneiro, pescador e escultor de canoas – para ministrar a oficina, uma vez que, com o aparecimento de fábricas de redes, a feitura artesanal tem diminuído cada vez mais, paralela ao adoecimento dos rios e extinção dos peixes.”
Davi de Jesus do Nascimento

Gê Viana (BR)

Gê Viana (BR)

–Bolsa Pamulha 2018/2019 – Pesquisa

Nascida na zona rural do Maranhão, Gê Viana desenvolve um trabalho iniciado a partir da construção de arquivos visuais e da manipulação dessas imagens, problematizando questões relacionadas à ancestralidade afro-indígena e à normatividade de gênero e da sexualidade humana. A partir de fotografias, fotomontagens e ações urbanas, realiza intervenções visuais em fachadas de casas de taipa e muros urbanos, aos quais acrescenta camadas relacionadas ao pixo e à presença de corpos e atitudes marginalizados pela sociedade hegemônica. Em alguns trabalhos, estabelece diálogos com os campos da dança e da performance, dedicando-se ao que chama de corpografia do pixo, em processos nos quais busca ressaltar dimensões artísticas e performáticas da mesma atividade, assim como aspectos corporais geralmente invisibilizados pela marginalidade social imposta aos pixadores.

No Bolsa Pampulha, desenvolveu uma pesquisa sobre a cultura da cana e do canavial, entendendo-os como traço de uma ancestralidade a ser ressignificada no presente. A partir de aproximações entre a cana e a selenita, propõe e registra rituais em uma lavagem da história de mulheres da periferia de Belo Horizonte, que igualmente carregam em si seus ancestrais. Assim como opera na série Paridade, tais registros são justapostos aos cortadores de cana escravizados do passado, num processo de observação da história colonial e miração de outros tempos.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Sobreposição da História

Desenvolve uma pesquisa sobre a cultura da cana e do canavial, entendendo-os como traços de uma ancestralidade a ser ressignificada no presente. A partir de aproximações entre a cana e a selenita, propõe e registra rituais de cura e fortalecimento de moradores da periferia de Belo Horizonte, que hoje plantam cana em seus quintais. Assim como opera na série Paridade, tais registros são justapostos aos cortadores de cana escravizados do passado, num processo de observação da história colonial e miração de outros tempos. Ela expõe fotomontagens em sacos de ráfia, impressas em tamanho real, com mulheres retratadas com máscaras ninja, ornamentadas com pedaços de cana e cristal selenita. Vídeos mostram mulheres moendo cana, extraindo caldo do cristal para que seja feita a lavagem das vezes em que os ancestrais tiveram seus pés e mãos calejados e cansados da escravidão na História.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Corpo pixador e corpo performer: Conversa aberta com Gê Viana e Wanatta

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Gê Viana promoveu, junto a artista Wanatta, a palestra “Corpo pixador e corpo performer – A estética das pixações a partir de corpografias urbanas”, realizada na Escola Livre de Artes Arena da Cultura, no centro de Belo Horizonte.

A fala e pesquisa tomou como base a performance Corpografias do Pixo, cujas apresentações proporcionaram a análise do fenômeno da pixação nas cidades de Teresina, São Luís, Fortaleza, Brasília e São Paulo. Essas cidades foram analisadas a partir do seu contexto social e histórico, com foco nos primeiros movimentos de pixação e respectivas particularidades locais. A proposta foi analisar a estética das pixações, seus processos de criação e o corpo dos indivíduos durante o ato de pixar.

Gabriel Nast (BR)

Gabriel Nast (BR)

– RE:USO – 2013 – (Jardim Canadá)

Durante a Semana Aberta do RE:USO, Nast envolveu os alunos da Escola Kabum! na criação de um dos seus murais que se utilzam de camadas descascadas de tapumes de construções. Posteriormente, os pedaços foram reinseridos ao local de onde o foram retirados. A precariedade e o improviso com que estes muros são levantados passam a compor esteticamente o trabalho do artista. Para este trabalho o artista mapeou, com a ajuda dos alunos, as inúmeras construções do Jardim Canadá.


– RE:USO – 2013 – (Salvador)

Em Salvador, intrigado com as dinâmicas do mercado imobiliário no bairro de Santo Antônio, Nast instalou gravuras com a ilustração de uma chave em cada porta que fechava edifícios vazios, sem cuidados diários e deixados à ruína. Casa centenárias em uma vizinhança boêmia foram compradas e trancadas, à espera de uma valorização da área para então serem revendidas.

Rafael RG (BR)

Rafael RG (BR)

– RE:USO – 2013 – El futuro Del Amor (Jardim Canadá)

Rafael RG, inspirado no maior meio de comunicação do bairro, o carro com auto-falantes, levou ao Jardim Canadá um trio elétrico e promoveu uma manifestação móvel, instigado pela impactante atuação da mina Capão Xavier, localizada nas imediações. Os participantes do workshop, bem como os moradores e circulantes, usaram a estrutura do caminhão para protestar, manifestando-se sobre temas caros ao bairro. O artista propôs, entre outras questões, uma mudança no nome do bairro: de Jardim Canadá para Jardim Xavier, desligando, assim, o Canadá da identidade local, identificado por uma pesquisa do artista como um país conhecido por suas permissivas legislações de exploração mineral.


– RE:USO – 2013 – El futuro Del Amor c/ Wellington Romário (Belém)

Algumas pessoas dizem que tudo isso não passou de um Workshop, outras dizem que foi uma carta que me trouxe aqui. Outras porém, acreditam que esse tempo todo, não foi nada além de um final de tarde numa mesa do Bar do Parque acompanhado de muitas Cerpas e de pessoas que passaram na minha vida quando eu estava vivendo El futuro Del Amor.

O projeto El futuro Del Amor tinha como premissa ampliar, através de manifestações artísticas públicas, toda a gama de sentimentos envolvidos no encontro afetivo entre os artistas Welligton Romário (PA) e Rafael RG. A inscrição do projeto junto ao JA.CA tinha como objetivo principal promover o reencontro entre os artistas na cidade de Belém do Pará.

Yuri Barros (BR)

Yuri Barros (BR)

– RE:USO – 2013 – (Jardim Canadá)

Junto a um grupo de estudantes de arquitetura, Yuri Bastos instalou um letreiro feito de materiais descartados, projeto que inicialmente propunha inserir a palavra QUANDO à paisagem do Jardim Canadá foi, devido às motivações dos estudantes e das dinâmicas do bairro, alterado para QUANTO, e colocada sob a estrutura de uma casa inacabada que estava à venda.


– RE:USO – 2013 – (Belém)

C. L. Salvaro e Yuri de Barros trabalharam em conjunto, acompanhados pelos participantes do workshop oferecido no SESC Boulevard. O grupo ocupou-se em derivas pelo centro histórico de Belém, além de construir, com materiais encontrados no campus da Universidade do Pará, uma jangada para aproveitar o último dia da estadia nos rios que rodeiam a cidade.

C. L. Salvaro (BR)

C. L. Salvaro (BR)

– RE:USO – 2013 – (Jardim Canadá)

Percursos pelo Jardim Canadá ofereceram a Salvaro uma frente de ocupação, estendendo suas pesquisas e intervenções neste campo de trabalho. O encontro com um lote abandonado, tomado por uma vigorosa vegetação e recortado por um precário par de paredes sobreviventes, forneceu terreno para um ensaio de moradia. Em mutirão, um grupo de estudantes colaborou na capina, plantio, construção de telhado, piso, pintura e demais intervenções para tornar o lote habitável. Valendo-se de uma rede, Salvaro pernoitou na ocupação, atropelando qualquer redução estética de sua construção. Poderosa como sua experiência foi a reação anônima de destruir todos as ações realizadas no território, trazendo-o de volta a um lugar de mero terreno, agora sem o par de paredes que traziam a memória da moradia.


– RE:USO – 2013 – c/ Yuri Barros (Belém)

C. L. Salvaro e Yuri Barros trabalharam em conjunto, acompanhados pelos participantes do workshop oferecido no SESC Boulevard. O grupo ocupou-se em derivas pelo centro histórico de Belém, além de construir, com materiais encontrados no campus da Universidade do Pará, uma jangada para aproveitar o último dia da estadia nos rios que rodeiam a cidade.

André Hauck e Camila Otto (BR)

André Hauck e Camila Otto (BR)

– RE:USO – 2013 – Inventariar (Jardim Canadá e Salvador)

O coletivo, durante a residência no bairro Jardim Canadá e na cidade de Salvador, realizou uma pesquisa artística de viés arqueológico e antropológico. Partindo do convívio com as pessoas e os espaços, coletaram objetos em uso e desuso, e independente de seu valor de uso, ambos apresentavam-se intimamente relacionados com sua origem. Todo o material coletado foi fotografado, classificado, ordenado, exibido e ressignificado pelo casal. O procedimento foi inspirado em métodos de catalogação museológicos, seguindo um raciocínio taxonômico, também influenciado por aspectos subjetivos e visuais.

Durante caminhadas por Salvador, Hauck e Otto, ainda se valendo de procedimentos taxônomicos, seguiram na busca por objetos cotidianos deslocados de suas funções originais, desgastados pelo tempo e modificados por esses usos alternativos. Aqui o inventário se faz por meio do registro fotográfico dos objetos no local, incorporados a arquitetura, resultando em uma coleção de composições e intervenções acidentais.

Ricardo Villa (BR)

Ricardo Villa (BR)

– RE:USO – 2013 – Distopia (Jardim Canadá)

Distopia consiste na produção de esculturas em concreto no formato de pequenos diamantes. Utilizando-se de restos de casas em vias de demolição, Villa coleta os resquícios de paredes que conformavam espaços antes ocupados por afetos e os transforma em diamantes de concreto. Diamante, permanente, eterno. Também o concreto seria permanente e estável. Mas estruturas de concreto são desmoronadas pela especulação. Diamante, riqueza, capital. Concreto, real, distópico. Objeto estético com potência utilitária, que penetra vidraças e que abre espaço para a multidão que vem marchando.


– RE:USO – 2013 – Firma Ponto (Salvador)

Seguindo com as experimentações em esculturas/estruturas de concreto, Ricardo Villa apresenta Firma Ponto, tamborete construído com sobras de madeira, referenciado na sincrética cultura religiosa baiana.

Berglind Jóna (IS)

Berglind Jóna (IS)

– Programa de Residências Internacionais – 2010 – Manutenção da Liberdade: Entre Lembrar e Esquecer

Manutenção da Liberdade dá voz a um monumento tradicional da cidade de Belo Horizonte, o coreto da Praça da Liberdade, conjunto arquitetônico que remonta à fundação da cidade no final do século XIX. Ao redor da praça foram construídos o palácio de governo e edifícios administrativos que abrigaram, até recentemente, os órgãos do poder executivo desta que foi a primeira cidade planejada do país, construída especialmente para ser a capital de um estado da república então recém-proclamada.

No trabalho, o coreto é uma testemunha histórica que presencia a transformação da cidade e compartilha com o espectador/leitor suas impressões sobre os espaços, lugares, pontuando a transformação da cena urbana, mas também política e social. Atento às trocas simbólicas de que é testemunha durante os seus mais de cem anos de existência, o coreto monumento/narrador torna-se agente preconizador de estratégias críticas, ao mesmo tempo, desafiadoras, divertidas e poéticas sobre a natureza do processo de transformação da cidade.

O relato, construído a partir da imersão e pesquisa que a artista realiza na praça, em bibliotecas e arquivos públicos de Belo Horizonte, numa certa medida, guarda relação com momentos importantes da história da cidade. Porém não se compromete com um relato histórico, ao contrário, organiza-se numa linha tênue entre o que é visível e o que permanece na opacidade desses acontecimentos.

Fazendo com que as pessoas – como bem destaca Nietzsche, em seu texto “Dos usos e desvantagens da história para a vida” – reconheçam um instinto forte de quando é necessário sentir-se de modo histórico ou não-histórico. Em Manutenção da Liberdade, “essa é a proposição a que o leitor é justamente convidado a observar: o ahistórico assim como o histórico são igualmente necessários para a saúde de cada indivíduo, de um povo e de uma cultura.”

Fernanda Regaldo e Roberto Andrés (BR)

Fernanda Regaldo e Roberto Andrés (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2010 – Natureza mora ao lado – Visita ao Jardim Canadá

Fernanda Regaldo e Roberto Andrés não são artistas, nem jardineiros. É pela sociologia, pela arquitetura e pelo urbanismo que adentram o bairro Jardim Canadá, em busca de paisagens cotidianas. Durante sua residência, realizaram uma coleta experimental de situações ligadas às idéias de paisagem, jardim e natureza, ao mesmo tempo em que empreitaram a construção de uma rua jardim, em um bairro em pleno asfaltamento. Do processo, resulta o livro “A natureza mora ao lado”, que aborda o Jardim Canadá a partir de ângulos insuspeitados.

Camilo Martínez e Gabriel Zea (CO)

Camilo Martínez e Gabriel Zea (CO)

– Programa de Residências Internacionais – 2010 – Projeto Berebere

O Projeto Berebere é uma colaboração entre a dupla Zea & Martinez e outros dois artistas colombianos, Andrés Burbano e Alejandro Duque, por eles definido como um laboratório ambulante, cujo nome remonta a tribos nômades do Deserto do Sahara. Neste projeto os artistas propõem novas construções cartográficas, a partir da invenção engenhosa de máquinas coletoras de dados, que andam pelas ruas das cidades captando informações que serão posteriormente processadas e traduzidas em mapas audiovisuais e experimentais. Ao mesmo passo que as máquinas permitem uma leitura do espaço diferente da que estamos habituados, sua passagem pela cidade exige a presença real de seus propositores, gerando um conceito híbrido de percepção espacial. Os resultados coletados são organizados de forma visual e sonora pelos artistas, gerando imagens, mapas, gráficos e texturas de som. Ainda tratando de percepção do espaço, podemos salientar uma certa condição performática das ações, que faz com que muitas vezes essas máquinas ambulantes provoquem a curiosidade do público passante. Experimentações semelhantes já foram propostas pelos artistas em Medellín, New York, Cartagena e Basel.

Pedro Veneroso (BR)

Pedro Veneroso (BR)

– Programa de Residências Internacionais – 2010 – Not so many possibilities

Durante a residência, o artista trabalhou no projeto Not so many possibilities que resultou em uma instalação composta por jogo de futebol de botão modificado, arquivo de documentação, impressões digitais, fotografias e uniformes. O trabalho propõe conformações alternativas para campos esportivos.

Pedro Motta (BR)

Pedro Motta (BR)

– Emissário no Programa de Residências Internacionais – 2011 – Paisagem Suspensa

Na Residency Unlimited (Nova York), Pedro Motta continuou sua série de balões metereológicos iniciadas no JA.CA em 2010.


– Programa de Residências Internacionais – 2010 – Paisagem Suspensa

Durante o Programa de Residências Internacionais 2010 do JA.CA, Pedro Motta desenvolveu o projeto Paisagem Suspensa, que coloca em discussão a relação da natureza com o espaço urbano. Para o artista, o poder desmesurado da natureza é visto como um fator de singularização da paisagem contida no espaço geográfico – lugar de integração e convívio, onde se faz propagar representações e imagens.

Em um primeiro momento o artista interferiu na paisagem ao redor do J A.C A, foram escavadas cavas de diversos tamanhos sempre com formas regulares e geométricas.

Em seguida, formas com a mesma dimensão e cor dos materiais retirados foram criadas a fim de mimetizar as contra-formas das cavas. Elas, por sua vez, foram erguidas do solo por meio de diversos tipos de balões de gás hélio, e registradas em uma sequência de fotografias.

Nelas, a estrutura suspensa age como uma metáfora da transformação do solo/ambiente/paisagem. A questão central da pesquisa concentra-se na especulação visual da região, detentora de uma grande riqueza mineral que vem sendo consumida por diversas companhias mineradoras por várias décadas.

ATELIÊ NO PRÉDIO

ATELIÊ NO PRÉDIO

O JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia, em parceria com a Ernesto – Plataforma de Humanização, abre o presente edital para a escolha de artistas e de coletivos locais, com trabalhos nas mais diversas linguagens, para desenvolverem projetos inéditos durantes seis (6) meses de vivência no Edifício Almeida – Centro de Inspiração. Os projetos devem ser destinados a repensar as dinâmicas e o território do Centro de Belo Horizonte, propondo atividades colaborativas e/ou que sejam abertas a interações e participação da comunidade local.

almeidaSITE

Uma vivência proposta com a criação de uma comunidade de artistas dispostos a se debruçar sobre as dinâmicas do centro de Belo Horizonte em prol de ressignificá-lo através da ocupação do Edifício Almeida – Centro de Inspiração e a dividir despesas coletivas (segurança, limpeza, internet e manutenção básica), necessárias ao seguro e adequado funcionamento do espaço em que trabalharão. Funcionam 12 ateliês nos 02 primeiros andares do Almeida, e o JA.CA e a Revista Ernesto dividem uma grande sala, que chamamos de “Escola”, onde promoveremos diversas ações.

Este é um programa bem diferente dos propostos anteriormente pelo JA.CA, leia atentamente o REGULAMENTO para entender mais sobre ele.



INSCRIÇÕES LEITURA DE PORTIFOLIO

 

Programa de Residências 2015 CONVOCATÓRIA

O JA.CA abre convocatória para residências artísticas para o ano de 2015.

O comitê externo formado por Daniella Domingues, Fabíola Moulin e Fernando Maculan selecionará 03 artistas para residências de 02 meses.

EDITAL E FORMULÁRIO DE INSCRIÇÕES AQUI

edital

 

Inscrição Salão das Artes de São Luís

Inscrição REBOQUE

Jardim Canadá
Centro de Arte e Tecnologia

Rua Vitória, 886

34000-000 . Nova Lima . MG

+55 31 3097 2322

info@jaca.center