Dayane Tropicaos (BR)

Dayane Tropicaos (BR)


Dayane Tropicaos (1988 | Contagem, MG) é bacharel em Artes Visuais pela UFMG. Criadora em audiovisual, fotografia, vídeo e instalação. Seus trabalhos investigam as ficções do eu, e sua poética é traspassada pelo meio urbano. No mais ordinário e comum, interessa-se por situações que revelam sutis estados de deslocamento. Ao tensionar elementos reais e ficcionais, cria narrativas que dialogam com o absurdo e o lúdico da vida.

dayanetropicaos.com




– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Pesquisa

Tendo a periferia de Contagem como primeiro contexto de experiência e intervenção, Dayane Tropicaos integra o projeto coletivo Cine sem Churumelas, criado a partir do desejo de abrir espaços públicos de troca artística e exibição de trabalhos. Também idealizou o projeto O Inusitado Cabe Dentro do Comum, no qual, além de ocupar ruas, suas ações também compreendem intervenções e exposições em espaços comerciais e de convivência, como bares, trailers, borracharias, casas de assistência técnica, buscando gerar provocações e estranhamentos em ambientes inicialmente não-artísticos. Ao mesmo tempo em que inventa modos de existir na periferia, a artista reflete sobre a própria presença e pertencimento aos espaços institucionais da arte, questionando regimes de privilégios e exclusividade.

No Bolsa Pampulha, o trabalho da artista traduz em vídeos uma série de encontros com outras mulheres negras de origem periférica que se dividem entre pesquisas e práticas artísticas e o exercício de outras funções na sociedade, considerando desigualdades raciais históricas e presentes. Entre os focos de sua pesquisa, que resulta ainda em um conjunto de uniformes relacionados a atividades profissionais subalternizadas, figuram os indícios de uma revolução que lentamente cozinha nos caldeirões de cantineiras eventualmente mal-humoradas.


– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Abre Caminho

A obra conta a história de uma revolta futura eminente que irá provocar transformações sociais e econômicas. São trazidas questões em torno das relações de trabalho de subalternidade, da opressão vivenciada pelas classes mais pobres, do apagamento histórico da cultura negra, apontando para um futuro de descolonização e uma reparação histórica. A instalação é formada por vídeos, uniformes em cabides, e texto impresso em tecido.

Na altura dos olhos

Em um presente distópico, ainda continuo com a utopia à altura dos olhos. Depois de muito tempo respirando fumaça e caminhando por ruínas daquilo que ainda não foi construído, procurei no entulho vestígios do passado dos meus esquecidos. Vencida, comecei correr atrás do futuro desconhecido e me dei conta de que existe uma revolta cozinhando nas panelas das cantineiras mal-humoradas, ela está para acontecer e a percebo na displicência dos garçons apressados. Tenho visto seus vestígios na fumaça do cigarro das faxineiras que fumam nos banheiros, na roupa mal passada pela empregada, na obra demorada do pedreiro. Está para acontecer essa revolta, e ela será inevitável. E eu a escuto sempre na ligação muda da operadora de telemarketing que desliga. Eu vi de novo seu rastro na atendente que nunca dá razão ao cliente. Sim, ela está para acontecer, ontem mesmo vi o lixo rasgado que o lixeiro deixou pra trás, vi a atendente do fast-food inexpressiva. Vejo ela avançar, se organizar. Alguns tomaram a frente e gritam que essa revolta será pela retomada de poder.



– Bolsa Pampulha 2018/2019 – Abre Caminho: Roda de Conversa

Como parte das ações do Bolsa Pampulha 2018/2019, Dayane Tropicaos propôs a roda de conversa com o objetivo de conversar e compartilhar sobre as reflexões que permearam o processo de criação do trabalho “Abre Caminho”. O encontro contou com a presença da artista junto às convidadas Raíssa Haizer, Daiana Arcanjo, Flávia Aniceto e Negah Thé, participantes no trabalho. Também foram compartilhado alguns processos do trabalho por meio de alguns trechos de conversas gravadas durante o processo da residência. O trabalho partiu de vivências de mulheres negras da periferia levando em consideração a criação de estratégias de enfrentamento ao racismo estrutural. A ação foi realizada na Escola Livre de Artes Arena da Cultura, no centro de Belo Horizonte. 

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